Taleban quebra promessas sobre direitos das mulheres, diz ONU

Apesar de discurso mais moderado do grupo fundamentalista, meninas foram barradas em escolas e mulheres instruídas a ficar em casa

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

    O Taleban descumpriu sua promessa de resguardar os direitos das mulheres desde que retomou o poder no Afeganistão, acusou nesta segunda-feira (13) Michelle Bachelet, alta comissária para os direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas). Em declaração na abertura da 48ª sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, na Suíça, Bachelet criticou especialmente a falta de diversidade no governo interino afegão.

    “Estou decepcionada com a falta de inclusão no que chamam de governo de transição, que não inclui nenhuma mulher, e poucos membros não pashtuns”, disse a ex-presidente do Chile.

    Depois que o Taleban reassumiu o comando do Afeganistão em agosto, em alguns localidades meninas de mais de 12 anos foram barradas em escolas e mulheres foram instruídas a ficar em casa. As restrições remetem às práticas opressivas do grupo fundamentalista islâmico entre 1996 e 2001, quando a invasão liderada pelos Estados Unidos derrubou o Taleban do poder.

    Durante o primeiro governo do Taleban, as mulheres não podiam estudar e só eram autorizadas a sair de casa acompanhadas por um homem, entre outras restrições. Na retomada ao poder em 2021, após a saída de tropas americanas do território afegão, o Taleban adotou um discurso mais moderado e prometeu proteger os direitos civis das mulheres.

    “Contradizendo as garantias de que o Taleban manteria os direitos das mulheres, nas últimas três semanas, ao invés disso, mulheres foram progressivamente excluídas da esfera pública”

    Michelle Bachelet, alta comissária da ONU, ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra

    Bachelet também destacou outras promessas descumpridas, como a de conceder anistia a ex-servidores civis e seguranças ligados ao antigo governo e a proibição a buscas em residências. A ONU já registrou diversas alegações de perseguição a ex-colaboradores de empresas e forças de segurança dos EUA, e alguns funcionários da ONU relataram ameaças e ataques crescentes.

    Continue no tema

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.