TCU suspende servidor que fez ‘relatório paralelo’ sobre covid

Documento foi utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro para alegar supernotificação de mortes causadas pela doença

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    O TCU (Tribunal de Contas da União) suspendeu por 45 dias o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, responsável por produzir um documento com dados não comprovados que foi utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro para alegar supernotificação do número de mortes por covid-19 no Brasil.

    A penalidade foi aplicada a Marques no âmbito de um processo administrativo disciplinar e não poderá ser convertida em multa. O auditor terá que cumprir “pleno afastamento de suas atribuições”, conforme boletim do TCU publicado na sexta-feira (10), e não terá direito a salário.

    Marques já estava preventivamente afastado do cargo desde junho. Naquele mês, o presidente Jair Bolsonaro afirmou a apoiadores que tinha uma “informação em primeira mão” do TCU que apontava que cerca de 50% dos óbitos por covid em 2020 não foram provocados pela doença. O TCU desmentiu o relatório e afirmou se tratar de uma“análise pessoal” de um servidor, não chancelada pelo órgão.

    Ao depor à CPI da Covid, Marques disse que havia produzido o documento para “enriquecer o debate”. Alegou na ocasião que o documento foi editado e que o logo do TCU foi inserido no relatório, mas negou saber quem teria sido responsável pela edição. Ainda de acordo com o servidor, ele encaminhou o documento em formato de Word a seu pai, responsável por repassar o relatório ao presidente Bolsonaro.

    O pai do auditor é o coronel reformado do Exército Ricardo Silva Marques. Ele foi colega de Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras e ganhou cargo na Petrobras no governo do presidente. Alexandre Silva Marques, por sua vez, chegou a ser indicado por filhos de Bolsonaro a um cargo no BNDES, mas a indicação acabou barrada pelo TCU.

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