FBI libera documento das investigações sobre o 11 de Setembro

Relatório de 16 páginas que era mantido em sigilo trata da possível relação entre o governo saudita e os atentados. Revelação de arquivo foi ordenada pelo presidente Joe Biden

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

    Neste sábado (11), data que marcou os 20 anos dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, o FBI divulgou o primeiro documento da investigação secreta sobre os ataques. A ordem para liberação partiu do presidente americano Joe Biden, que vinha sendo pressionado por familiares das vítimas para tornar a investigação pública. O relatório de 16 páginas trata de um dos principais temas da investigação: se o governo saudita teria participado ou não da articulação do ataque terrorista, executado pelo grupo Al Qaeda.

    O documento é baseado em entrevistas feitas com uma fonte anônima entre 2009 e 2015, que relatou ao FBI os encontros entre o estudante Omar al-Bayoumi e dois dos sequestradores da Al Qaeda. Bayoumi é suspeito de colaborar com os serviços de inteligência saudita e, segundo a fonte do FBI, ocupava secretamente uma posição muito alta no consulado saudita. As entrevistas também confirmam que havia uma relação entre os sequestradores e um outro funcionário do consulado do país em Los Angeles.

    Apesar dessas evidências, o documento não confirma que o governo saudita foi diretamente cúmplice dos ataques, confirmando a versão defendida pela Arábia Saudita há anos. No dia 8 de setembro, a embaixada do país divulgou uma nota afirmando que sempre defendeu a transparência em torno dos eventos de 11 de setembro e apoiando a divulgação dos documentos pelo FBI. Também não há evidências de que o governo tenha financiado a Al Qaeda. Resta a suspeita se membros do governo agiram individualmente no ataque terrorista.

    Os familiares das vítimas do 11 de setembro, assim como empresas e seguradoras afetadas pelo ataque, aguardavam com apreensão a divulgação do documento. Eles processam a Arábia Saudita e pedem bilhões de dólares em indenização. Embora o relatório do FBI não tenha confirmado nenhuma atuação direta do governo nos ataques, organizações de familiares e vítimas disseram que ficou evidente a cumplicidade saudita nos ataques.

    Ao todo, 2.977 pessoas morreram nos atentados do 11 de setembro, que atingiram não só as Torres Gêmeas, mas também o Pentágono. Mais de 20 mil pessoas ficaram feridas. Nos últimos 20 anos, os reflexos desse episódio incidiram sobre o mundo todo, com a declaração da “guerra ao terror” pelos Estados Unidos. Em discurso divulgado neste sábado (11), o presidente Joe Biden reconheceu que os atentados despertaram as forças mais negras da natureza humana, entre elas a violência contra comunidades islâmicas.

    Continue no tema

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.