Policial da reserva é investigado por agressão e ameaça em escola

Monitor de colégio cívico-militar teria dito ao estudante que já matou vários e que ele ‘não faria diferença’. O adolescente também foi agredido com um soco

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    Dois policiais militares da reserva foram denunciados na quinta-feira (9) pelo Ministério Público do Paraná por suspeita de agressão e ameaça contra um adolescente de 14 anos. Eles também são investigados por tentar encobrir o caso das autoridades. O episódio de agressão e ameaças teria acontecido há cerca de um mês em um colégio cívico-militar na cidade de Imbituva (PR), onde os policiais atuavam como monitor e diretor, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

    De acordo com o estudante, a agressão aconteceu depois que ele desenhou uma folha de maconha em uma das carteiras da escola e escreveu a frase vida louca. O monitor da escola obrigou o adolescente a buscar material de limpeza para remover o desenho e, no trajeto, o ameaçou de morte. O policial militar da reserva afirmou, segundo a denúncia, que já tinha matado vários e que o estudante não iria fazer diferença. Em seguida, o agrediu com um soco na nuca e fez com que o estudante limpasse a carteira diante dos outros alunos e professores.

    O estudante relatou o episódio às autoridades do serviço de acolhimento em que ele vive, a Casa Lar. Os agentes procuraram a administração da escola e pediram que o caso não fosse reportado às autoridades competentes. O diretor da escola também tentou amenizar a situação em uma reunião com a Secretaria da Assistência Social, para quem a Casa Lar responde. Na ocasião, voltou a ameaçar o adolescente.

    Segundo a promotora responsável pelo caso, Caroline Mezzaroba, o diretor militar relembrou o caso de uma criança da Casa Lar que colocou fogo em um carro do conselho tutelar, segundo a Folha de S.Paulo. Disse que ainda bem que não tinha porte de arma caso ocorresse algo semelhante com ele. O monitor da escola pode responder pelos crimes de ameaça, vias de fato, violência arbitrária e submissão do estudante à constrangimento. Já o diretor da escola foi denunciado por prevaricação, ao encobrir os atos do monitor, e por ameaça. Ambos são investigados também por corrupção passiva já que tentarem esconder o caso das autoridades.

    Segundo a promotora, a escola não havia aberto qualquer procedimento disciplinar para apurar as denúncias feitas contra os policiais militares. Agora, com a investigação em curso no Ministério Público, ambos foram afastados do colégio. Atualmente, 199 escolas estaduais do Paraná enquadram-se como cívico-militares. A mudança ocorreu a partir do início de 2021, mas em 2019 o presidente Jair Bolsonaro já encampava um plano de transição nacional para esse modelo.

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