Ministério da Saúde e São Paulo travam nova disputa por vacinas

Em nota, órgão federal afirmou que o estado paulista não segue a recomendação de reservar imunizantes para a segunda dose

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O Ministério da Saúde e o estado de São Paulo voltaram a trocar acusações pela falta de doses de vacina, dessa vez do imunizante da Astrazeneca. A escassez de doses já atinge quase todos os postos de saúde da capital paulista. Ao ser cobrado pelo município, o estado de São Paulo alegou que a responsabilidade pela falta de vacinas era do governo federal, que não havia entregado o que estava previsto. O governador João Doria chegou a ameaçar recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso uma nova remessa não fosse entregue até terça-feira (14). O Ministério da Saúde, por sua vez, se pronunciou sobre o caso na noite de sexta-feira (10), e culpou o estado de São Paulo por não reservar vacinas para a segunda dose.

“Ao contrário do que foi divulgado pelo governo de São Paulo, o Ministério da Saúde não deve segunda dose de vacina contra a covid-19 da AstraZeneca ao estado de São Paulo. Até o momento foram entregues ao estado 12,4 milhões da dose 1 e 9,2 milhões da dose 2 da AstraZeneca”, afirmou o Ministério em nota. A pasta disse ainda que as próximas 2,8 milhões de doses previstas devem ser entregues apenas no final do mês. O problema, justificou, é que o estado de São Paulo utilizou as vacinas destinadas para a segunda dose como primeira.

A recomendação atual do Ministério da Saúde é que os estados e municípios utilizem as doses recebidas conforme uma identificação que chega em cada remessa, informando a quantidade de doses reservadas a cada etapa do esquema vacinal. Segundo o UOL, o estado de São Paulo estaria descumprindo essa recomendação. O ministério reitera que as alterações nas recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) acarretam na falta de doses para completar o esquema vacinal na população brasileira. Por isso, o Ministério da Saúde alerta mais uma vez para que estados e municípios sigam o Plano Nacional de Operacionalização”, reforça a nota divulgada na sexta (10).

Em entrevista ao UOL, o secretário-executivo de Saúde, Eduardo Ribeiro, afirmou que São Paulo tem um calendário próprio de vacinação que se adequa às especificidades de cada município do estado. Disse ainda que ninguém guarda dose, e que a validade da vacina não permitiria isso. Já o secretário municipal de saúde da capital, Edson Aparecido, disse à CNN que o problema está sendo resolvido e que um novo lote de 1 milhão de doses deve chegar ao estado na segunda-feira (13).

Nesta sexta-feira (10), o estado de São Paulo divulgou que as pessoas que estiverem com a segunda dose da AstraZeneca em atraso entre os dias 1 e 15 de setembro poderão receber a segunda dose da Pfizer a partir da semana que vem. A medida valerá para todo o estado. Em agosto, o governo do estado de São Paulo resolveu judicializar o embate com o Ministério da Saúde e entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal, que afirmava que o recebimento abaixo do esperado das vacinas da Pfizer/BioNTech por parte do governo federal comprometiam a continuidade da vacinação em São Paulo e feria o pacto federativo da proporcionalidade.

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