Bolsonaro diz que os Três Poderes precisam ser respeitados

Presidente voltou a defender que bolsonaristas foram às ruas em 7 de setembro para evitar retrocessos e defender a liberdade

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    Neste sábado (11), durante a Expointer, feira promovida por representantes do agronegócio em Esteio, Rio Grande do Sul, o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar sobre a relação com o Supremo Tribunal Federal e sobre as manifestações convocadas por ele no feriado de 7 de setembro. Bolsonaro disse que não é possível fazer as coisas na velocidade que muita gente quer porque os Três Poderes precisam ser respeitados. Também falou que é necessário que os Poderes busquem a melhor maneira de se entender para que o produto do trabalho conjunto seja estendido aos 210 milhões de habitantes.

    Apesar do tom conciliador, Bolsonaro voltou a defender as manifestações antidemocráticas que aconteceram na terça-feira (7). Disse que a população foi às ruas contra o retrocesso, destacando o artigo 5º da Constituição. “O povo quer respeito à Constituição por parte de todos, e acima de tudo eles sabem que não podem deixar de lado sempre a defesa e a luta pela nossa liberdade”. Nos protestos de 7 de setembro, Bolsonaro atacou ministros do Supremo Tribunal Federal e fez ameaças de cunho golpista, insinuando que poderia romper com o Supremo caso o presidente da corte Luiz Fux não contesse Alexandre de Moraes. Também disse que não cumpriria mais as decisões de Moraes, o que configuraria crime de responsabilidade.

    No evento gaúcho do agronegócio, o presidente criticou ainda a votação sobre a tese do marco temporal, que está em curso no Supremo. Afirmou que se os outros ministros seguirem o voto de Edson Fachin, que se posicionou contra o marco, seria o fim do agronegócio no Brasil. Será proposta a demarcação de novas áreas indígenas que equivalem a uma região Sudeste toda, declarou. Ambientalistas e líderes do movimento indígena já desmentiram essa afirmação.

    A votação do marco temporal, que já se estende há 20 dias, será retomada na terça-feira (14). O marco temporal é uma ideia que defende que o direito à terra só deve ser garantido se ficar comprovado que em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, a área estava ocupada ou sob reivindicação indígena. Criticada por indígenas, a tese é defendida por ruralistas. O Instituto Socioambiental aponta que essa decisão poderia comprometer a demarcação de mais de 300 terras indígenas.

    A fala mais apaziguadora de Bolsonaro em relação aos Três Poderes acontece dois dias depois da divulgação de uma nota pelo Planalto que tentou arrefecer a crise com o Supremo e os rumores de impeachment. A “declaração à nação”, que, segundo a CNN, foi escrita pelo ex-presidente Michel Temer, é assinada por Bolsonaro, e afirma que suas “palavras, por vezes contundentes” no 7 de setembro foram ditas no calor do momento.

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