Escolas queimaram livros considerados racistas no Canadá

Fato ocorreu em 2019 e veio a público agora. Cerca de cinco mil títulos infantis, com como ‘Tintim’ e ‘Pocahontas’, foram destruídos por colégios católicos de Ontário em busca de ‘reconciliação’ com povos indígenas

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    Cerca de cinco mil livros infantis considerados racistas foram queimados em escolas de Ontário, no Canadá, em 2019. As informações vieram a público na terça-feira (7) numa reportagem da Rádio Canadá. Os livros faziam parte do acervo de escolas administradas pelo Conselho Escolar Católico de Providence. Cerca de 30 instituições de ensino da região são administradas pelo órgão.

    Um documento obtido pela emissora de rádio lista romances e quadrinhos que foram considerados racistas e obsoletos pela administração das escolas, e por isso incinerados e enterrados. Entre eles havia títulos como Tintim, Pocahontase Astérix. O documento afirma que a intenção era se reconciliar com os povos indígenas do Canadá.

    Uma das autoras do projeto de incineração dos livros é Suzy Kies, pesquisadora e ativista indígena, que pediu demissão do conselho na quarta-feira (8) após a publicação da reportagem. Em comunicado à Rádio Canadá, o conselho disse que irá rever o modo com que descartam livros considerados inadequados.

    Em meados de 2021, a descoberta de 1.100 restos mortais de crianças indígenas que foram mortas e enterradas em covas sem identificação em escolas católicas do Canadá causou revolta no país. Igrejas chegaram a ser queimadas.

    O número total de crianças mortas nessas circunstâncias pode estar entre 4.134 e 6.000. Entre 1883 e 1996, funcionou no Canadá uma rede educacional de congregações católicas nas quais crianças indígenas eram internadas para aculturação. Muitas delas enfrentaram violência sexual, racismo, doenças, maus tratos e negligência. Organizações ligadas aos povos originários canadenses cobraram um pedido de desculpas do Papa Francisco pelo que consideram um genocídio.

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