Lira fala em ‘basta’, mas não cita Bolsonaro ou impeachment

Presidente da Câmara dos Deputados prega diálogo e faz críticas indiretas ao presidente da República um dia após atos de 7 de setembro, em que mandatário fez o mais duro ataque às instituições até agora

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    O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), fez um pronunciamento na quarta-feira (8) condenando radicalismos, mas sem citar nominalmente Jair Bolsonaro e sem mencionar a possibilidade de abrir um processo de impeachment contra o presidente. A fala ocorreu no dia seguinte a Bolsonaro endurecer os ataques contra as instituições e redobrar as ameaças ao Supremo Tribunal Federal nos atos de 7 de setembro.

    No discurso gravado e transmitido pela TV Câmara, Lira pregou diálogo entre o Executivo e o Legislativo e minimizou o papel de Bolsonaro na crise institucional. Ele afirmou que a Câmara “estende a mão aos demais Poderes para que se voltem para o trabalho, encerrando desentendimentos”.

    “Conversarei com todos e com todos os Poderes. É hora de dar um basta a esta escalada”

    Arthur Lira

    presidente da Câmara dos Deputados, em pronunciamento em 8 de setembro de 2021

    Lira fez críticas indiretas a Bolsonaro. “Não vejo como possamos ter ainda mais espaço para radicalismo e excessos”, disse o presidente da Câmara. Também citou “bravatas em redes sociais, vídeos e um eterno palanque”. Por fim, lembrou o momento de crise econômica generalizada, com combustíveis caros, câmbio valorizado e um maior pessimismo em torno da economia brasileira.

    Ele criticou a insistência de Bolsonaro em torno do voto impresso – pauta que era parte central da agenda golpista do presidente da República e foi foi rejeitada pelos deputados –, e afirmou que “o único compromisso inadiável e inquestionável que temos em nosso calendário está marcado para 3 de outubro de 2022. Com as urnas eletrônicas”.

    Arthur Lira foi eleito presidente da Câmara com apoio de Bolsonaro em fevereiro de 2021. Ele é membro do PP, partido importante do bloco do centrão, que reúne parlamentares com histórico de fisiologismo e hoje dá sustentação ao governo. Apesar dos mais de cem pedidos de impeachment contra Bolsonaro – aos quais devem se somar novas iniciativas após o 7 de setembro –, Lira não deu seguimento a nenhum deles. Avaliar pedidos de impeachment é prerrogativa do presidente da Câmara, por isso sua reação era uma das mais esperadas após o 7 de setembro.

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