Entidades do agronegócio divulgam nota de apoio à democracia

Documento assinado por sete grupos do setor foi publicado após a Fiesp adiar lançamento de manifesto empresarial pedindo a pacificação dos Poderes

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    Sete associações do agronegócio brasileiro emitiram nesta segunda-feira (30) uma nota em defesa da democracia na qual ressaltam a preocupação com os “atuais desafios à harmonia político-institucional” no país. Entre outros pontos, as entidades dizem que as cadeias produtivas e setores econômicos que representam precisam de estabilidade, segurança jurídica e liberdade para empreender e comercializar, no Brasil e no exterior. “É o Estado Democrático de Direito que nos assegura essa liberdade empreendedora essencial numa economia capitalista”, diz o texto.

    A nota marca o posicionamento das entidades diante do clima de tensão entre governo federal e, sobretudo, o Poder Judiciário. O presidente Jair Bolsonaro tem feito ataques reiterados ao sistema eleitoral brasileiro e pediu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal — a iniciativa foi negada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

    As sete associações divulgaram o documento no mesmo dia em que foi adiada a publicação de um manifesto articulado por empresários para pedir harmonia entre os Poderes. A iniciativa encampada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) com apoio da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) já havia reunido mais de 200 assinaturas, mas foi suspensa depois que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, conversou com o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL). Segundo Lira, a publicação ficou para depois dos atos bolsonaristas marcados para 7 de setembro. A Caixa e o Banco do Brasil ameaçaram sair da Febraban se a entidade assinasse o manifesto.

    “Não podemos nos apresentar à comunidade das nações como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis e ou em risco de retrocesso e rupturas institucionais. O Brasil é muito melhor do que do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isto está nos custando caro e levará tempo para reverter

    Entidades empresariais do agronegócio

    em nota em defesa do Estado Democrático de Direito, publicado na segunda-feira (30)

    A nota do agronegócio foi assinada pelas seguintes entidades: Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal), Abrapalma (Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma), Croplife Brasil (representante de empresas de defensivos químicos, biológicos, mudas, sementes e biotecnologia), Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) e Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal).

    Entre elas não está a Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), cujo presidente Antônio Galvan foi alvo de operação da Polícia Federal em 20 de agosto. Ele é investigado sob suspeita de financiar o protesto bolsonarista de 7 de setembro, em especial convocações que defendiam a invasão do Supremo – policiais consideraram que as mensagens faziam incitação à violência. A Aprosoja rompeu com a Abag no final de 2020 por causa de uma proposta que incluía medidas para acabar com o desmatamento — iniciativa que deixou a associação de produtores de soja descontente. Também não faz parte da lista a UDR (União Democrática Ruralista), organização que apoiou a eleição de Bolsonaro e está entre as mais radicais do setor.

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