Bolsonaro diz que ‘tem que todo mundo comprar fuzil’

Em discurso a apoiadores, presidente defende a proliferação de armas de guerra no país, cujo uso hoje é restringido pelas Forças Armadas

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    O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (27) a um grupo de apoiadores que tem que todo mundo comprar fuzil no Brasil – em referência ao armamento que é de uso exclusivo das Forças Armadas e de grupos especiais da polícia, e cuja posse e o porte são extremamente restritos a certas categorias específicas de civis.

    A fala de Bolsonaro foi uma resposta a um apoiador na frente do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, que perguntou se havia novidade para os chamados CACs, os caçadores, atiradores e colecionadores.

    O CAC está podendo comprar fuzil. O CAC que é fazendeiro compra fuzil 762. Tem que todo mundo comprar fuzil, pô. Povo armado jamais será escravizado. Eu sei que custa caro. Daí tem um idiota que diz ah, tem que comprar feijão. Cara, se não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar, disse o presidente.

    A ampliação do direito à posse (direito de possuir) e ao porte (direito de carregar consigo) de armas de fogo é uma das principais bandeiras de Bolsonaro, que, ao longo de seu governo, assinou pelo menos 30 atos normativos para desburocratizar o acesso a armas e munições no país. Uma parte desses atos foi revogada por outras portarias ou suspensa por decisões da Justiça, mas outra parte entrou em vigor. De acordo com o Instituto Igarapé, nos dois primeiros anos de mandato de Bolsonaro, o número de armas de fogo nas mãos de cidadãos brasileiros cresceu 65%, passando de 697 mil para 1,151 milhão. Entre pessoas físicas, esse crescimento chegou a 72% no período.

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