Pacheco rejeita pedido de impeachment contra Moraes

Presidente do Senado nega demanda do presidente da República e impõe derrota ao discurso golpista do bolsonarismo às vésperas das manifestações de 7 de setembro

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    Rodrigo Pacheco (DEM-MG) rejeitou nesta quarta-feira (25) o pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, de iniciativa do presidente Jair Bolsonaro. “Quero crer que essa decisão possa constituir um marco de restabelecimento das relações entre os Poderes, pacificação e união nacional”, disse o presidente do Senado.

    Trata-se de uma derrota de Bolsonaro em meio à crise institucional deflagrada a partir de suas acusações contra o sistema eleitoral brasileiro. Em meio a suspeitas de corrupção na compra de vacinas por seu governo e enfrentando baixa popularidade, Bolsonaro intensificou as acusações de fraude nas urnas eletrônicas sem apresentar provas.

    No fim de julho, Bolsonaro fez uma live nas redes sociais usando estrutura pública para redobrar a aposta no discurso. Mas recorreu apenas a vídeos de internet com teorias da conspiração que já haviam sido desmentidas antes. O Judiciário reagiu, tornando o presidente alvo de inquéritos para investigar suas mentiras e seus ataques à democracia.

    Bolsonaro então elegeu como “inimigos” Moraes, relator do inquérito das fake news e futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e Luís Roberto Barroso, também ministro do Supremo e atual presidente do TSE. O presidente recorreu a ameaças e xingamentos contra eles.

    Bolsonaristas que adotaram o discurso golpista, como presidente do PTB, Roberto Jefferson, e o cantor Sérgio Reis, acabaram se tornando alvo de operações ordenadas pelo Supremo. Foi nesse contexto em que o presidente da República decidiu fazer o pedido de impeachment contra Moraes, numa atitude inédita.

    Na Câmara dos Deputados, a proposta de criação de um voto impresso como complemento à urna eletrônica já foi derrubada. Mesmo assim, Bolsonaro insiste no tema, usado como forma de instigar apoiadores a irem às ruas em 7 de setembro, Dia da Independência, para apoiar o governo. Policiais, setores do agronegócio e líderes religiosos têm engrossado a convocação.

    Na quinta-feira (26), o presidente lamentou o arquivamento. “Lamento a posição do Pacheco no dia de ontem, mas nós continuaremos aqui no limite, dentro das quatro linhas buscar garantir a liberdade para o nosso povo”, disse à Rádio Jornal, de Pernambuco.

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