Morre ex-presidente do Chade preso por crimes contra humanidade

Hissène Habré cumpria pena no Senegal desde 2016, quando foi condenado em julgamento histórico pelo assassinato e tortura de milhares de seus opositores

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    Hissène Habré, que controlou o Chade de 1982 a 1990, morreu nesta terça-feira (24) aos 79 anos no Senegal, onde cumpria pena de prisão perpétua desde 2016 por crimes contra a humanidade cometidos durante o seu governo. Poucas horas antes da divulgação da morte de Habré em um hospital em Dacar, capital do país, sua esposa havia afirmado que o antigo presidente tinha contraído covid-19, doença apontada como a causa da morte do ex-governante.

    Em 1982, Habré tomou o poder em um golpe contra o então presidente Goukouni Oueddei, realizado durante um período de conflito territorial entre o Chade e a Líbia, país fronteiriço. A organização de direitos humanos Humans Rights Watch afirma que ele recebeu apoio financeiro e militar dos EUA e da França, porque era visto como uma barreira contra o avanço do ditador líbio Muammar Gaddafi.

    No começo de seu governo, Habré instituiu uma polícia política acusada de cometer atrocidades contra seus adversários: assassinatos, sequestros, torturas e estupros. Uma comissão instituída no Chade após sua deposição estima que ele tenha chefiado o assassinato de 40 mil opositores e a tortura de 200 mil pessoas. Habré foi derrubado em 1990, no golpe de Estado que alçou o então chefe das Forças Armadas, Idriss Déby, à presidência.

    Ele fugiu ao Senegal, onde morou livremente por 22 anos, apesar de uma campanha da sociedade civil para que fosse julgado por seus crimes. Em 2012, a Corte Internacional de Justiça determinou que o Senegal deveria julgar Habré ou extraditá-lo, e o país criou um tribunal especial para o julgamento. O caso foi visto como um marco de progresso para a Justiça no continente, por representar a primeira condenação de um ex-chefe de Estado por crimes contra a humanidade em uma corte africana.

    Reed Brody, ativista que trabalhou junto com a Humans Rights Watch na campanha para julgar Habré, comentou sua morte em uma publicação no Twitter: “Hissène Habré vai entrar para a história como um dos ditadores mais impiedosos do mundo, um homem que massacrou seu próprio povo, incendiou vilarejos, enviou mulheres para servirem de escravas sexuais para suas tropas e construiu calabouços clandestinos para praticar tortura medieval contra seus inimigos”, escreveu.

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