Ministro da Saúde diz ser contra uso obrigatório de máscaras

Em entrevista a canal bolsonarista, Marcelo Queiroga critica aplicação de multas a quem recusa a proteção e afirma que uso deve ser ‘ato de conscientização’

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quarta-feira (18) ser contra a obrigatoriedade do uso de máscaras para conter a disseminação da covid-19 no Brasil, em entrevista ao site bolsonarista Terça Livre.

Queiroga reconheceu a necessidade de reforçar a conscientização da população sobre a importância da proteção como medida preventiva, mas criticou a aplicação de multas a quem não estiver de máscara, como acontece em cidades e estados que instituíram a obrigatoriedade por meio de decretos.

O presidente Jair Bolsonaro já foi punido por comparecer a eventos sem a proteção. Bolsonaro insiste, em diversas ocasiões, em não utilizar a máscara e pediu ao ministro que preparasse um estudo recomendando a desobrigação do uso da proteção aos vacinados ou aqueles que já contraíram a doença – algo que ainda não foi apresentado.

Desde que assumiu a pasta, Queiroga, que é médico, tenta fazer um discurso que não contrarie o presidente, equilibrando-se entre não divergir diretamente do negacionismo de Bolsonaro e incentivar medidas não farmacológicas como o uso de máscaras, o distanciamento físico e a higiene das mãos.

A comunidade científica internacional recomenda de forma ampla o uso de máscaras como proteção contra a covid-19 enquanto durar a pandemia. Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) prevê manter o uso de máscara obrigatória em lugares públicos até pelo menos o fim de 2021.

Somos contra essa obrigatoriedade. O Brasil tem muitas leis e as pessoas, infelizmente, não observam. O uso de máscaras tem de ser um ato de conscientização. O benefício é de todos. O compromisso é de cada um

Marcelo Queiroga

Ministro da Saúde, em entrevista para o canal Terça Livre

Na terça-feira (17), a Procuradoria-Geral da República afirmou em documento ao Supremo que não vê crime de Bolsonaro por não usar máscaras em locais públicos. Segundo o órgão, as ações são passíveis de sanções administrativas – como advertências e multas –, mas não são suficientes para que seja aplicada uma punição penal.

O criador do canal Terça Livre, onde Queiroga concedeu a entrevista, Allan dos Santos, foi denunciado pelo Ministério Público Federal sob acusações de ameaça e incitação de crime, nesta quarta-feira (18). Santos teria feito ameaças e incitado crimes contra o ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, o que ele nega.

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