CPI vai pedir que Bolsonaro seja indiciado por charlatanismo

Decisão foi confirmada pela cúpula da comissão após depoimento de fabricante de ivermectina, medicamento com uso incentivado por Bolsonaro mesmo sem eficácia contra a covid. Relatório também deve apontar curandeirismo e propaganda enganosa

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    A CPI da Covid no Senado decidiu nesta quarta-feira (11) que vai sugerir o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro pelos crimes de charlatanismo e curandeirismo, além de propaganda enganosa de medicamentos ineficazes contra a covid-19. A comissão vai propor o indiciamento — que é o ato pelo qual um delegado de polícia imputa a alguém uma conduta criminosa — em seu relatório final, a ser entregue ao Ministério Público. Juntos, os crimes podem levar a até 3 anos de prisão e multa.

    A decisão de propor o indiciamento do presidente foi tomada em almoço dos integrantes da cúpula da CPI, o presidente da comissão Omar Aziz (PSD-AM), o vice Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e o relator Renan Calheiros (MDB-AL). Os três concordaram com o pedido durante intervalo do depoimento de Jailton Batista, diretor-executivo da farmacêutica Vitalmedic ouvido nesta quarta (11) pela comissão. A empresa é fabricante de ivermectina, medicamento usado para tratar sarna, verme e piolho, mas ineficaz contra a covid-19, que foi divulgado por Bolsonaro como parte de um falso “tratamento precoce” contra a doença.

    Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a equipe do relator Renan Calheiros selecionou sete vídeos em que Bolsonaro incentiva o uso do medicamento durante lives e discursos a apoiadores. A sugestão de indiciamento por charlatanismo e curandeirismo não exclui a possibilidade de a CPI apontar outros crimes do presidente em seu relatório final.

    A fabricante de ivermectina também será enquadrada por fazer propaganda do medicamento sem comprovação científica de sua eficácia contra a covid-19. Durante depoimento, o representante da empresa confirmou salto de 600% nas vendas do remédio durante a pandemia, além de financiamento de uma campanha a favor do “tratamento precoce” no valor de R$ 717 mil.

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