Supremo inclui Bolsonaro no inquérito das fake news

Relator da investigação, ministro Alexandre de Moraes atende a pedido do TSE e abre terceira frente criminal contra o presidente, desta vez por ataques ao sistema eleitoral

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

    Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, incluiu nesta quarta-feira (4) Jair Bolsonaro como investigado no inquérito criminal das fakes news que tramita na corte desde 2019. Moraes acolheu um pedido do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) feito na segunda-feira (2) para que o presidente fosse incluído nas investigações.

    Com a decisão, Bolsonaro passa a ser investigado diretamente por suas acusações contra o sistema eletrônico de votação do Brasil. Ele fala “fraudes” em eleições, mas sem apresentar provas que justifiquem a acusação. Também faz ameaças segundo as quais, sem a instituição do voto impresso, não haverá eleições em 2022. Seus ataques se dirigem, principalmente, a Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo e presidente do TSE.

    Na decisão, Moraes afirma que as condutas de Bolsonaro podem configurar crimes de calúnia, difamação, injúria, incitação ao crime, apologia ao crime ou criminoso, associação criminosa e denunciação caluniosa. Não há dúvidas de que as condutas do presidente da República insinuaram a prática de atos ilícitos por membros da Suprema Corte, utilizando-se do modus operandi de esquemas de divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar ou expor a perigo de lesão a independência do Poder Judiciário, o Estado de Direito e a Democracia, escreveu o ministro na decisão.

    O pedido do TSE ao Supremo foi aprovado no plenário do tribunal eleitoral por unanimidade e enviado por Barroso após a realização de uma transmissão ao vivo feita por Bolsonaro na quinta-feira (29). A live foi recheada de ataques sem provas contra as urnas eletrônicas e foi divulgada por canais oficiais, como a TV Brasil. Com a inclusão de seu nome no inquérito das fake news, o presidente da República passa a ser investigado em três frentes no Supremo. As duas outras se referem a suspeitas de interferência política na Polícia Federal e a suspeitas de prevaricação no caso Covaxin, envolvendo negociações para a compra de vacinas indianas contra a covid-19.

    Continue no tema

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.