Por escrito ao TSE, Bolsonaro diz que não ataca segurança das urnas

Em resposta a pedido de corregedor do tribunal eleitoral, presidente diz que suas falas são no sentido de contribuir com o sistema eleitoral

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    Em documento enviado na terça-feira (3) ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não tem feito ataques às urnas eletrônicas, mas que vê necessidade de robustecer ainda mais o atual sistema.

    A resposta foi enviada ao ministro Luis Felipe Salomão, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, que em 21 de junho deu 15 dias para que o presidente demonstrasse evidências das fraudes citadas por ele nas urnas. O prazo foi estendido para 2 de agosto. A resposta foi enviada na terça-feira (3).

    No documento, que não apresenta provas de fraudes, Bolsonaro altera o tom de ataque, frequentemente usado tanto para se referir ao presidente do TSE, o ministro Luís Roberto Barroso, quanto para citar supostas irregularidades nas urnas eletrônicas. Na segunda (2), por exemplo, o presidente disse que o ministro quer “eleições sujas”, sugerindo ainda, sem nenhuma base factual, que Barroso poderá beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sucessão de 2022.

    “Na realidade, é em nome da maior fiabilidade do sufrágio que há muito se tem defendido a necessidade de robustecer ainda mais o sistema eletrônico de votação com alguma medida física de auditagem imediata pelo eleitor, tão logo esse deposite o seu voto na urna e, se for o caso, mais tarde pela própria Justiça Eleitoral”

    Jair Bolsonaro

    presidente, em documento enviado ao TSE

    O documento enviado a Salomão cita uma resolução de março de 2018 do próprio TSE, que previa a implementação do registro do voto impresso em 23 mil urnas nas eleições daquele ano, segundo o UOL. A resolução, no entanto, foi considerada inconstitucional pelo Supremo, que derrubou a medida três meses depois. Bolsonaro afirma haver “fraude” nas urnas eletrônicas desde antes de ser eleito em 2018.

    Na terça-feira (3), a apoiadores, Bolsonaro havia dito que não havia briga com o TSE ou o com o Superior Tribunal Federal, mas com um ministro “querendo impor suas vontades”, em referência a Barroso. Nesta quarta-feira (4), o presidente foi incluído no inquérito das fake news do Supremo Tribunal Federal, a pedido do TSE. O tribunal enviou o pedido à corte após a realização de uma transmissão ao vivo feita por Bolsonaro na quinta-feira (29). A live do presidente foi recheada de ataques sem provas contra as urnas eletrônicas e foi divulgada por canais oficiais, como a TV Brasil. Bolsonaro reagiu, verbalmente, dizendo que pode atropelar a Constituição diante das iniciativas judiciais.

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