Renan propõe quebra de sigilo de Jovem Pan. E depois recua

CPI mira sites bolsonaristas como Terça Livre em linha de investigação sobre disseminação de fake news sobre tratamento precoce. No caso da rádio, relator disse que requerimento foi ‘equívoco’

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    Senadores da CPI da Covid avaliaram na terça-feira (3) requerimentos para quebrar os sigilos bancários de sites, produtoras e influenciadores que, segundo parlamentares da comissão, são suspeitos de disseminar fake news na pandemia.

    A desinformação referente ao tratamento precoce é uma das novas frentes de investigação da CPI. Durante as semanas de recesso, os senadores criaram sete núcleos de investigação para otimizar os trabalhos. As irregularidades na compra das vacinas e o lucro das farmacêuticas que comercializaram medicamentos do “kit covid” continuam na mira da comissão.

    Foram aprovadas as quebras de sigilo de responsáveis pelos sites e produtoras Terça Livre, Brasil Paralelo, Crítica Nacional, Senso Incomum e Conexão Política. Allan dos Santos, do site Terça Livre, já é investigado no inquérito das fake news no Supremo. Os pedidos também envolviam, inicialmente, a rádio Jovem Pan.

    A iniciativa foi articulada principalmente pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI. Foi ele quem pediu a quebra contra a Jovem Pan, num requerimento assinado em conjunto com o senador Humberto Costa (PT-PE). Nesta terça-feira (3), porém, Renan recuou no caso da rádio. Disse que o pedido de quebra de sigilo foi um “equívoco” que poderia comprometer a liberdade de expressão. A retirada do requerimento ocorreu após protestos.

    O ministro das Comunicações, Fábio Faria, saiu em defesa da Jovem Pan, dizendo que a CPI errou ao mirar veículos de imprensa como a rádio, que segundo ele presta um papel essencial para o país. A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) divulgou nota na qual disse repudiar “com veemência” a iniciativa da CPI contra a Jovem Pan. “Qualquer tentativa de intimidação ao trabalho da imprensa é uma afronta à liberdade de expressão, direito garantido pela Constituição”, afirmou a entidade no comunicado anterior ao recuo do relator.

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