Vale nega rever valores em novo acordo sobre Mariana

Afirmação vem após governador de Minas Gerais, Romeu Zema, dizer que acordo definitivo poderia atingir R$ 100 bilhões

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A Vale contestou nesta quinta-feira (29) uma declaração do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sobre a possibilidade de um novo acordo com a mineradora no caso do rompimento da barragem de Mariana (MG), em novembro de 2015, atingir R$ 100 bilhões de reais. O valor seria quatro vezes maior que um acordo inicial fechado em 2016.

A renegociação sobre compensações e reparações pela tragédia não trata de valores, afirmou o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, durante teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados trimestrais da empresa. Zema mencionou a nova cifra em uma entrevista à agência de notícias Reuters publicada em 19 de julho.

O acordo firmado pela Vale e o governo mineiro em 2016 permitiu o início dos trabalhos de reparação e a suspensão temporária de ações na Justiça. Ele determinava a realização de novas etapas de negociações para ajustes, como a que está em curso agora — a última fase prevista. A rodada definitiva, que começou em junho e deve durar cerca de 120 dias, é mediada pelo Conselho Nacional de Justiça.

No primeiro acordo, foram definidos 42 programas para reparação do desastre, incluindo reassentamentos, compensações individuais e recuperações ambientais. “O que a Samarco [joint venture da Vale e do grupo anglo-australiano BHP] está fazendo é precisamente renegociar esses programas, conforme foi previsto no acordo original. Isso não é uma negociação de um novo acordo para Mariana”, afirmou Siani na teleconferência.

O colapso da estrutura da Samarco deixou 19 mortos, centenas de desabrigados e poluiu o rio Doce em toda a sua extensão, de Minas Gerais até o mar no Espírito Santo. A tragédia é considerada o maior desastre socioambiental da história brasileira.

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