Governo confirma cancelamento do contrato da Covaxin

Decisão sobre vacina indiana foi tomada após irregularidades em documentos reveladas por análise da CGU e na CPI da Covid

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    O Ministério da Saúde cancelou definitivamente nesta quinta-feira (29) o contrato com a empresa brasileira Precisa Medicamentos para a compra de 20 milhões de doses da Covaxin, vacina contra a covid-19 produzida pela laboratório indiano Bharat Biotech. O acordo comercial para adquirir o imunizante estava suspenso desde 29 de junho e o governo já tinha sinalizado o cancelamento.

    A decisão definitiva foi tomada depois que a CGU (Controladoria-Geral da União) demonstrou haver irregularidades em documentos apresentados pela Precisa na negociação. Além disso, a empresa indiana que fabrica a vacina anunciou no dia 23 de julho a ruptura do contrato de representação que mantinha com a Precisa no Brasil.

    Entre os documentos apontados como irregulares pela CGU estava o atestado que supostamente autorizaria a Precisa a completar as negociações com o governo federal para a venda das doses da vacina indiana. De acordo com o órgão de controle, a Baharat nega ter dado essa procuração. Para a CGU, o documento pode ter sido forjado digitalmente.

    Além do cancelamento do contrato comercial, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também suspendeu a autorização temporária que havia sido dada em 4 de julho para a importação e distribuição do imunizante.

    O negócio para aquisição da Covaxin é investigado pela CPI da Covid, que suspeita de sobrepreço. Em depoimento à comissão, a ex-diretora-executiva da Precisa, Emanuela Medrades, negou-se a informar qual seria a margem de lucro da empresa intermediária. Cada dose da Covaxin estava sendo oferecida a US$ 15, enquanto o Brasil paga US$ 10 por dose da Pfizer e menos de US$ 6 por dose da Coronavac. A CGU afirmou que não encontrou irregularidade no preço nem nos prazos do acordo.

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