Ciro Nogueira aceita convite para ser ministro da Casa Civil

Nomeação de senador do Piauí e presidente do PP reforça laços do governo com o centrão, bloco de partidos fisiológicos

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    O senador Ciro Nogueira, presidente do PP, aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir o cargo de ministro da Casa Civil. O parlamentar fez o anúncio nesta terça-feira (27) no Twitter, após uma reunião no Palácio do Planalto. A chegada do senador à Esplanada dos Ministérios consolida os laços de Bolsonaro com o PP, um pilar do centrão, bloco de partidos fisiológicos com grande representatividade no Congresso. O partido já tem o comando da Câmara, de onde o presidente da Casa, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), tem funcionado como barragem dos pedidos de impeachment ingressados contra Bolsonaro.

    A mudança na Casa Civil faz parte de uma reforma ministerial anunciada por Bolsonaro na quarta-feira (21). Em entrevista à rádio Jovem Pan de Itapetininga, no interior de São Paulo, o presidente afirmou que recriará o Ministério do Trabalho com o nome de Ministério do Emprego e Previdência. A medida tem o objetivo de abrigar o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, que deixa a pasta. O cargo deve ficar com o general da reserva Luiz Eduardo Ramos, atual titular da Casa Civil que cederá lugar a Nogueira.

    Ao colocar o presidente do PP no centro do poder, Bolsonaro reforça seus laços com o centrão em um momento de desgaste do governo, que enfrenta suspeitas de corrupção na compra de vacinas contra a covid-19. A popularidade do presidente chegou a seu menor nível em meio à crise sanitária e às altas taxas desemprego. Ao mesmo tempo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desponta como favorito às eleições de 2022 em pesquisas de opinião.

    Formado em direito, Nogueira entrou para a política em 1994 como deputado federal pelo Piauí. Ele permaneceu na Câmara por quatro mandatos, antes de ser eleito senador em 2009. Integrou a base dos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff até 2016, quando o PP passou a defender o impeachment de Dilma. Antes, Nogueira tinha sido da base dos governos de Fernando Henrique Cardoso e, depois, de Michel Temer. Em 2017, apoiou a candidatura de Lula à Presidência e classificou Bolsonaro como fascista em declaração ao Programa Agora, da Rede Meio Norte.

    No âmbito da Operação Lava Jato, Ciro Nogueira foi denunciado ao Supremo quatro vezes pela Procuradoria-Geral da República. Duas dessas denúncias foram rejeitadas, uma por falta de provas, em 2018, e a outra, em março de 2021, porque as acusações tinham sido objeto de outra denúncia já arquivada. Outras duas denúncias aguardam avaliação dos ministros da Corte. Nogueira nega todas as acusações.

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