Fabricante da Covaxin rompe contrato com brasileira Precisa

Empresa indiana avisa que não trabalhará mais com parceira que foi posta sob suspeita pela CPI da Covid

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    A Bharat Biotech, fabricante indiana da vacina Covaxin, contra a covid-19, anunciou nesta sexta-feira (23) a recisão do contrato com a empresa Precisa Medicamentos, que a representava no Brasil. A suspeita de irregularidades na oferta de venda de doses da Covaxin pela Precisa ao governo brasileiro é um dos focos da CPI da Covid.

    Em fevereiro de 2021, o governo comprou 20 milhões de doses da vacina por R$ 1,6 bilhão, mas o contrato foi suspenso após a Precisa não cumprir os prazos e o negócio entrar na mira da CPI.

    O deputado Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, Luis Ricardo Miranda, disseram à comissão que houve pressão interna no Ministério da Saúde para que a vacina indiana fosse aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Ambos afirmam ter relatado as suspeitas ao presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga se o presidente prevaricou ao não levar nenhuma investigação adiante. O Ministério Público Federal pede a abertura de investigação na esfera criminal contra a Precisa.

    A empresa chegou a lucrar pelo menos R$ 9,5 milhões ao vender a vacina Covaxin a 59 clínicas privadas do Brasil no início de 2021. O valor corresponde a 10% de “sinal” (adiantamento). As doses seriam entregues em abril, o que nunca ocorreu. Algumas clínicas agora buscam ressarcimento.

    A Anvisa não autorizou a comercialização da Covaxin no Brasil e tampouco permitiu que clínicas privadas levassem adiante a vacinação contra a covid-19, que está concentrada no sistema público. A empresa indiana disse que seguirá tentando obter autorização da Anvisa para ser comercializada no Brasil.

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