Divididos, caminhoneiros convocam protesto contra o governo

Ministério da Infraestrutura não crê em paralisação marcada para domingo (25). Preço do diesel e frete estão entre as pautas

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    Entidades que reúnem caminhoneiros autônomos do país estão convocando manifestações para pressionar o governo do presidente Jair Bolsonaro no domingo, 25 de julho. Também há movimentações para que os atos se desdobrem numa greve a partir de segunda-feira (26). A categoria, porém, segue dividida quanto ao apoio ao governo Bolsonaro e a necessidade de paralisação diante das altas recentes do preço do diesel.

    Greves nacionais de caminhoneiros estão sendo aventadas há meses, mas convocações esparsas não conseguiram unir a categoria em protestos como o que ocorreu em maio de 2018, durante o governo Michel Temer. Naquele mês, a paralisação de cerca de 10 dias dos motoristas forçou o governo federal a aprovar às pressas uma tabela de pisos mínimos de frete, que até hoje aguarda avaliação de constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal.

    O ministro Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, diz não reconhecer a representatividade da principal entidade que tenta organizar a greve, o CNTRC (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas), criado em 2020. Segundo reportagem do portal Poder360, o movimento tem ganhado a adesão de outros grupos.

    Em fevereiro de 2021, o CNTRC tentou convocar uma greve em meio a sucessivos aumentos de preços de combustíveis pela Petrobras, mas o movimento não foi para frente. Em meados de março, pressionado pela crescente insatisfação na categoria, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a troca do presidente da petroleira. No lugar de Roberto Castello Branco, apoiado pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes, entrou o general da reserva Joaquim Silva e Luna.

    A CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística), vinculada à CUT (Central Única dos Trabalhadores), afirmou em comunicado divulgado nesta sexta-feira (23) que “orienta que todos os seus 800 mil caminhoneiros autônomos e celetistas” a participarem da manifestação de domingo (25). Entre as reivindicações estão a revisão da política de preços da Petrobras, a aprovação da aposentadoria especial aos 25 anos de trabalho, o julgamento da constitucionalidade do piso mínimo do frete pelo Supremo e a falta de fiscalização desse piso mínimo nas estradas.

    A divisão da categoria

    DEFENDEM A GREVE

    CNTRC (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística); ANTB (Associação Nacional de Transporte no Brasil), de caminhoneiros autônomos e de regiões como a Baixada Santista e Goiás; Movimento GBN (Galera da Boleia da Normatização Pró-Caminhoneiro), que era da base do governo de Jair Bolsonaro.

    NÃO DEFENDEM A GREVE

    Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) é contra. A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), uma das entidades que mantém contato com o ministro Tarcísio de Freitas, minimizou o movimento.

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