China rejeita plano da OMS para estudar origem da covid-19

País asiático criticou hipótese que considera vazamento em laboratório. Sem mais transparência chinesa, futuro da investigação é incerto

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A China rejeitou nesta quinta-feira (22) um plano da OMS (Organização Mundial de Saúde) para uma segunda fase da investigação sobre a origem da covid-19, afirmou Zeng Yixin, vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde do país asiático. A apuração incluiria a hipótese de o coronavírus ter escapado de um laboratório chinês.

Depois de um primeiro relatório inconclusivo sobre a origem da covid publicado em março, a OMS propôs no início de julho uma segunda fase de estudos incluindo auditorias de laboratórios e mercados na cidade chinesa de Wuhan, pedindo transparência às autoridades do país. “Não aceitaremos tal plano de rastreamento de origens como esse porque, em alguns aspectos, ignora o bom senso e desafia a ciência”, disse Yixin a jornalistas.

O vice-ministro afirmou ainda que ficou surpreso ao ler pela primeira vez o plano da OMS porque ele considera a hipótese de uma violação de protocolo em um laboratório chinês ter causado o vazamento do vírus durante pesquisas. Yixin reiterou a posição da China de que alguns dados não podem ser completamente compartilhados por questões de privacidade. Não se sabe como a investigação vai avançar diante do impasse.

O diretor da OMS, Tedros Adhanom, disse no início de julho que a apuração sobre a origem da pandemia de covid-19 na China estava sendo prejudicada pela falta de dados brutos dos primeiros dias da disseminação no país asiático.

Há duas principais hipóteses para explicar o surgimento da covid-19: uma delas, com lastro histórico da ciência, aponta para a presença do vírus em algum animal — provavelmente morcegos — que acabou contaminando seres humanos. A outra é de que o microrganismo estava sendo estudado em laboratório e, por algum descuido ou quebra de protocolo, acabou “vazando” e chegando aos primeiros infectados.

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