Covid reduz expectativa de vida nos EUA em um ano e meio

Queda é a maior de um ano para outro desde a Segunda Guerra Mundial, indica o centro de controle de doenças americano  

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    Em 2020, a expectativa de vida nos Estados Unidos caiu um ano e meio, passando de 78,8 anos em 2019 para 77,3, de acordo com o CDC (Centro para Controle e Prevenção de Doenças), órgão do governo americano. O principal motivo, segundo a instituição, foram as mortes por covid-19 no país. Os Estados Unidos acumulam 609 mil óbitos causados pela doença desde o início da pandemia de coronavírus.

    A queda é a maior de um ano para outro desde a Segunda Guerra Mundial. Entre 1943 e 1944, a redução foi de 2,9 anos. “A expectativa de vida vinha crescendo gradativamente todos os anos na última década”, afirmou Elizabeth Arias, pesquisadora do CDC que trabalhou no relatório. Segundo ela, a queda fez com que o país retornasse ao patamar de 2003. “Nós meio que perdemos uma década”, afirmou.

    Além das mortes por covid-19, responsáveis por 74% da queda, a overdoses de drogas também estão ligadas à redução na expectativa de vida. De acordo com o CDC, essa foi a causa de 90 mil mortes de janeiro a dezembro de 2020. O número, diz a instituição, é inédito nos EUA e se relaciona com o aumento do uso de opióides nos país durante a pandemia.

    O relatório do CDC apontou ainda disparidades raciais e de gênero. Para as pessoas negras, a expectativa de vida diminuiu 2,9 anos e agora é de 71,8, menor nível desde o ano 2000. Já os homens hispânicos tiveram sua expectativa de vida reduzida em 3,7 anos, para 75,3. A diferença entre homens e mulheres se acentuou: mulheres agora vivem em média 80,2 anos, 5,7 anos a mais do que os homens e seis meses a mais do que no levantamento de 2019.

    Nas primeiras semanas de julho, os EUA registram um aumento de casos de coronavírus impulsionado pela variante delta. O CDC afirmou na terça-feira (20) que a cepa é responsável por 83% dos novos casos. A média móvel de casos passou de 11,8 mil no começo de julho para 34 mil. Para barrar a nova variante, o CDC insiste que o país precisa levar a vacinação a localidades onde ela ainda segue lenta.

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