Bolsonaro deve recriar ministério e dar Casa Civil ao centrão 

Ciro Nogueira, um dos principais nomes do grupo parlamentar, é o provável substituto do general Luiz Eduardo Ramos na pasta

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    O presidente Jair Bolsonaro declarou nesta quarta-feira (21), em entrevista à rádio Jovem Pan de Itapetininga, no interior de São Paulo, que está preparando uma “pequena mudança ministerial” a ser anunciada na próxima segunda (26). De acordo o jornal O Estado de S. Paulo, Bolsonaro vem sendo pressionado pelo centrão a mexer em sua articulação política. Com desaprovação em alta e pressionado por denúncias na CPI da Covid, o presidente deve substituir os ministros da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, e da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni.

    Bolsonaro deve indicar para a Casa Civil o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais nomes do centrão, o grupo de partidos que dá sustentação política ao presidente no Congresso. O ministério é considerado um dos mais importantes do governo. Entregá-l0 ao senador reforçaria a aliança do governo com o centrão, que tem entre seus porta-vozes o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) — cabe a ele tomar a decisão de pautar, ou não, um processo de impeachment de Bolsonaro.

    Segundo a coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo, por volta das 17h30 de terça-feira (20), o general e atual ministro da Casa Civil Luiz Eduardo Ramos foi chamado ao gabinete presidencial e ouviu de Bolsonaro que precisava do cargo para entregá-lo a Nogueira. Na Câmara e o Senado, há insatisfação com o atual ministro da Casa Civil. Para firmar o arranjo, Ramos provavelmente será deslocado para a Secretaria-Geral de Lorenzoni.

    Ainda não foi definido para qual cargo Lorenzoni iria, mas Bolsonaro pretende mantê-lo no Executivo. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, é provável que Bolsonaro recrie o Ministério do Trabalho e Emprego para abrigar o aliado. A pasta foi extinta pelo presidente logo no início do seu mandato, em 2019, e as ações da área foram atreladas ao Ministério da Economia, de Paulo Guedes, o que deu poderes de “superministério”' à pasta.

    Ainda segundo a Folha, há no Planalto o temor de que Ciro Nogueira poderia se afastar do governo. O senador tem aparecido cada vez menos defendendo o presidente e mostrou publicamente sua insatisfação com a liberação de recursos federais para o Piauí, governado por seu adversário político Wellington Dias (PT). A nova troca ministerial tem o objetivo de selar o “casamento” do governo federal com o centrão no Congresso. A aliança contradiz o discurso contrário ao “toma lá dá cá” de Bolsonaro durante a campanha em 2018, quando ele desdenhava o bloco. Na mesma campanha, o presidente prometeu reduzir o número de ministérios a 15. Se confirmar a recriação do Ministério do Trabalho, o governo chegará a 23 pastas.

    ESTAVA ERRADO: A versão anterior deste texto dizia que o governador do Piauí era Camilo Santana (PT). Na verdade, quem ocupa o cargo é seu correligionário Wellington Dias. A informação foi corrigida às 12h de 21 de julho de 2021.

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