‘Pior chuva em mil anos’ tira milhares de casa e mata 25 na China 

Cerca de 100 mil pessoas foram desalojadas em Zhengzhou, na província de Henan, onde ruas e o metrô ficaram inundados

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A “pior chuva em mil anos”. Assim os chineses estão chamando os temporais que desde sábado (17) assolam a província de Henan, na região central da China. Do fim de semana até a terça-feira (20), 617,1 milímetros de chuva caíram na área de Zhengzhou, a capital da província. O volume é quase o equivalente à média de um ano inteiro, de 640,8 milímetros. A precipitação recorde vem provocando caos na região, com centena de milhares de pessoas desalojadas, estações de metrô inundadas e mortes em decorrência das enxurradas.

Nesta quarta-feira (21), Zhengzhou, que tem 12 milhões de habitantes, ficou submersa e 100 mil pessoas tiveram que ser evacuadas de suas casas para zonas seguras. Soldados realizaram a operação de resgate na província, que também está com o transporte ferroviário e rodoviário interrompido. Bibliotecas, museus e até salas de cinema estão sendo utilizadas como abrigo.

Ao menos 25 pessoas morreram e sete continuam desaparecidas na província de Henan. Pelo menos seis mortes ocorreram em uma linha de metrô que foi inundada — os passageiros pediram socorro pelas redes sociais. “A água bateu no meu peito”, escreveu um sobrevivente. “Fiquei com muito medo, mas o mais aterrorizante não foi a água, mas a falta de ar dentro do trem”, continuou.

De acordo com autoridades municipais, mais de 500 pessoas foram resgatadas do metrô inundado. Nas imagens exibidas na China, as estações pareciam grandes piscinas com água marrom, por causa da lama e de outros detritos das enxurradas. Além da suspensão dos serviços de trens e estradas fechadas, voos também foram cancelados ou adiados.

Segundo cientistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, assim como as recentes ondas de calor nos Estados Unidos e Canadá e enchentes na Europa Ocidental, as chuvas na China estão relacionadas ao aquecimento global. “Eventos climáticos extremos como esse provavelmente acontecerão com mais frequência no futuro”, afirmou Johnny Chan, professor de ciência atmosférica na City University, de Hong Kong.

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