Saúde contraria estados e mantém prazo entre doses de vacinas

Governos estaduais encurtaram intervalo entre aplicações da AstraZeneca e da Pfizer por causa da variante delta do coronavírus

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O Ministério da Saúde decidiu manter a recomendação de intervalo de três meses entre doses das vacinas da AstraZeneca e da Pfizer contra a covid-19. No começo de julho, ao menos seis estados encurtaram o período de espera devido à preocupação com a transmissão da variante delta, de maior potencial de contágio. A decisão pressionou o governo federal a tomar uma posição sobre o tema.

O assunto foi debatido pela Câmara Técnica Assessora em Imunizações do ministério em 16 de julho. Na reunião, o grupo recomendou manter o intervalo de 12 semanas entre a primeira e a segunda dose. Uma nota técnica sobre o tema deverá ser enviada aos estados nos próximos dias. Por se tratar de uma orientação, os governos estaduais e municipais não são obrigados a seguir a regra.

Só a imunização completa, com duas doses, garante maior proteção contra as mutações do novo coronavírus. A decisão de diminuir o intervalo entre as doses, tomada por estados como Espírito Santo, Pernambuco, Piauí e Santa Catarina, não é consenso entre especialistas. A Sociedade Brasileira de Imunizações, por exemplo, defende um intervalo maior com o objetivo de acelerar a vacinação da população com pelo menos uma dose, o que garantiria proteção parcial mais rápida a mais pessoas. A entidade alega que intervalos maiores resultaram em respostas imunes “mais robustas” e mais “duradouras” nos estudos realizados.

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que produz a AstraZeneca no Brasil, defendeu em nota, no começo de julho, a manutenção do intervalo de 12 semanas devido aos resultados das pesquisas com a vacina. Segundo a fundação, o imunizante já apresenta uma efetividade de 71% na primeira dose contra a variante delta para hospitalizações e casos graves, segundo um estudo britânico publicado em junho.

No caso da vacina da Pfizer, a bula sugere um intervalo de 21 dias, mas o Ministério da Saúde estendeu o prazo para 12 semanas com a justificativa de que a medida mostrou efetividade em outros países.

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