Macron foi alvo do programa de espionagem Pegasus

Presidente da França consta em lista de possíveis espionados, mas empresa desenvolvedora nega que ele tenha sido vigiado

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    Os telefones do presidente francês, Emmanuel Macron, e de ao menos outros 13 chefes de Estado e autoridades internacionais estão entre os alvos do programa israelense Pegasus, que invade e espiona celulares. É o que relatam o jornal francês Le Monde e o britânico The Guardian em reportagens publicadas nesta terça-feira (20). Segundo dados obtidos pelos jornais estrangeiros, a espionagem de Macron teria sido ordenada pelo Marrocos.

    O Pegasus é um malware (programa malicioso) que se infiltra nos sistemas operacionais Android e iOS quando o usuário clica em um link aparentemente inofensivo. Ele permite o acesso a mensagens de texto, chamadas de voz, histórico de navegação, lista de contatos e captura de tela, além de recompor o caminho de todas as teclas pressionadas pelo usuário. Um grupo de 17 veículos de comunicação vem desde domingo (18) publicando reportagens que mostram como governos de pelo menos dez países usaram o programa para espionar desafetos.

    O número de Macron aparece numa lista de possíveis espionados que vazou para a imprensa. Ela teria sido elaborada por governos clientes do Grupo NSO, empresa israelense que criou e licenciou o Pegasus. Macron foi incluído na relação em 2019, segundo o Guardian. Ao jornal, o grupo negou que o presidente francês tenha sido alvo de espionagem. A empresa disse que o fato de o número aparecer na lista não indica que ele tenha sido selecionado para ser vigiado com o uso do programa.

    O Marrocos também negou ter vigiado líderes estrangeiros e afirmou que os repórteres que investigam o caso foram incapazes de provar que o país tem qualquer relação com a NSO. Além de Macron, outras autoridades francesas aparecem listadas como alvos de interesse do Marrocos.

    A lista de possíveis autoridades hackeadas inclui ainda os nomes de Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Saad Hariri, ex-primeiro-ministro do Líbano, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, Imran Khan, primeiro-ministro do Paquistão e Felipe Calderón, ex-presidente do México. O rei Maomé 6º, do Marrocos, e o primeiro-ministro do país, Saadeddine Othmani, também constam na relação, aparentemente incluídos pelas forças de segurança marroquinas, segundo o Guardian.

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