Sistema de espionagem foi usado para invadir celulares de opositores

Governos de ao menos dez países no mundo usaram um software israelense para perseguir e roubar informações de opositores

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    Um consórcio formado por alguns dos principais jornais do mundo denunciou, neste domingo (18), que os governos de ao menos dez países usaram um software para invadir e roubar informações do celular de jornalistas, ativistas, pesquisadores, religiosos e outras pessoas tidas como opositoras. Os telefones figuram em uma lista com mais de 50 mil números obtida pela organização de mídia Forbidden Stories e pela Anistia Internacional. A lista foi entregue aos veículos de imprensa que investigam o caso.

    Grande parte dos telefones que figuram na lista já foram identificados e pelo menos 180 deles pertencem a jornalistas de veículos internacionais como a CNN, o Financial Times e a Reuters. Também aparecem na lista líderes sindicais e figuras políticas importantes como primeiros-ministros e presidentes. O jornal americano Washington Post indicou que os números abrangem mais de 50 países ao redor do globo e que os nomes por trás deles devem ser revelados em reportagens nos próximos dias.

    O software usado para invadir esses aparelhos e roubar informações, chamado Pegasus, é desenvolvido e comercializado pela empresa israelense NSO Group. Mensagens, e-mails e fotos estão entre os dados que podem ser acessados pelo programa. A NSO já é investigada pelos Estados Unidos por roubo de dados, mas ainda assim mantém clientes no mundo todo. No Brasil, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) está entre os que já tentaram articular a compra do software, segundo reportagem publicada pelo UOL.

    Ainda não é possível saber ao certo quais são os clientes da NSO por trás da lista vazada neste domingo, mas as investigações dos jornais apontam pelo menos dez governos suspeitos de envolvimento no caso. São eles Arábia Saudita, Azerbaijão, Bahrein, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Índia, Marrocos, México e Ruanda.

    14 mil

    é o número de telefones do México presentes na lista de aparelhos invadidos

    Não ser possível afirmar que todos os 50 mil telefones foram, de fato, invadidos, segundo o Washington Post. No entanto, uma análise forense feita com uma pequena amostragem de aparelhos mostrou que pelo menos metade deles tinha vestígios do software. Procurada pelo consórcio internacional de veículos, a NSO afirmou que apenas comercializa os sistemas, e não os opera depois disso. Também disse que as alegações feitas sobre o uso de seu software são falsas, e que estabelece em contrato com os clientes que seus produtos devem ser usados apenas para investigações criminais e de segurança nacional.

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