Bolsonaro culpa vice da Câmara por fundo eleitoral recorde

Presidente culpou Marcelo Ramos (PL-AM), vice-presidente da Câmara, pelo fundo eleitoral polêmico aprovado esta semana com o apoio de bolsonaristas

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    Ao deixar o hospital Vila Nova Star neste domingo (18), o presidente Jair Bolsonaro comentou a aprovação na quinta-feira (15) do fundo eleitoral recorde de R$ 5,7 bilhões, que é um assunto sensível ao governo. Para Bolsonaro, a culpa pela aprovação do fundo de valor exorbitante é do vice-presidente da Câmara, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM).

    Os parlamentares aprovaram a LDO. É um documento enorme, com vários anexos. Tem muita coisa lá dentro. Muitos parlamentares tentaram destacar essa questão [do fundo eleitoral]. O responsável por aprovar isso é o Marcelo Ramos lá do Amazonas

    Jair Bolsonaro

    presidente em fala à imprensa na manhã de domingo (18)

    Marcelo Ramos respondeu ao presidente no Twitter, afirmando que Bolsonaro deveria é dizer que vai vetar [o fundo eleitoral], mas vai tentar arrumar alguém para responsabilizar, porque é típico dele e dos filhos correr das suas responsabilidades e obrigações. O deputado também sugeriu que as mortes pela pandemia, o desemprego, a fome e os escândalos de corrupção na compra de vacinas são culpa do presidente.

    O dispositivo que inflou o fundo eleitoral em R$ 3,5 bilhões foi incluído e votado junto com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), aprovada pelo Congresso na quinta-feira (15). Ele ainda depende de sanção presidencial. O fundo eleitoral é, desde 2017, o principal mecanismo de financiamento de campanhas eleitorais, e quem mais se beneficia dele são os partidos com maior número de representantes no Congresso.

    Antes da aprovação da LDO, o partido Novo propôs sem sucesso destacar o fundo eleitoral do texto orçamentário com o apoio do PSOL, Podemos, Cidadania e do PSL que aderiu à votação depois que ela havia acabado. Segundo Bolsonaro, Marcelo Ramos atropelou a discussão, por isso seria o culpado por não separar a LDO e o fundo eleitoral.

    O chamado fundão acabou sendo votado dentro da Lei de Diretrizes Orçamentárias e contou com o voto favorável de deputados da base do governo como Carla Zambelli (PSL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Em sua fala neste domingo (18), o presidente também defendeu esses parlamentares. “Se tivesse destacado [o fundo eleitoral], o resultado talvez tivesse sido diferente. Quem está atacando parlamentares que votou o fundão, isso não é verdade. Teve a votação da LDO que interessava ao governo. Então num projeto enorme, alguém botou lá dentro essa casca de banana, essa jabuticaba, afirmou.

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