Diretora que vendeu Covaxin ao governo contesta alta de preço

Um dia após se negar a responder perguntas na CPI da Covid, Emanuela Medrades pediu acareação com servidores da Saúde

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    A diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, sustentou nesta quarta-feira (14) à CPI da Covid que a empresa, que intermediou a compra da vacina indiana Covaxin pelo governo Bolsonaro, nunca ofertou o imunizante por US$ 10 a dose, contestando informação que consta na ata de uma reunião do Ministério da Saúde. Medrades, no entanto, admitiu que no início da negociação disse a funcionários da pasta que sua expectativa era de que a vacina custasse “menos de US$ 10”.

    A Covaxin, cujo contrato foi suspenso pelo ministério depois que vieram a público suspeitas de irregularidades, acabou sendo negociada a US$ 15 a dose. O valor é o mais alto entre todos os imunizantes contra a covid-19 comprados pelo país, o que é considerado pelos senadores da CPI um indício de sobrepreço.

    Medrades também declarou que o primeiro invoice (fatura internacional) do negócio só foi enviado em 22 de março, data diferente da relatada pelo servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, que depôs à CPI junto com seu irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), no dia 25 de junho.

    As divergências levaram o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), a aceitar uma sugestão de Medrades para a realização de uma acareação, ainda sem data para ocorrer. A expectativa é de que, além da representante da Precisa, funcionários do Ministério da Saúde e os irmãos Miranda sejam convocados. A dupla trouxe à tona as suspeitas de corrupção no negócio e implicou o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara. Segundo eles, o presidente Bolsonaro citou Barros quando foi informado das suspeitas em uma reunião no Palácio da Alvorada.

    O depoimento de Medrades estava previsto para ocorrer na terça (13), mas ela inicialmente se negou a responder as perguntas dos senadores, alegando que tinha o direito de permanecer calada devido a um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal. A CPI pediu para o presidente da corte, ministro Luiz Fux, esclarecer os efeitos da decisão. Fux disse que Medrades só poderia ficar em silêncio para não se incriminar. A CPI tentou retomar o depoimento em seguida, mas Medrades disse que estava “exausta” e a sessão foi adiada.

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