PF abre investigação contra Bolsonaro no caso Covaxin

Inquérito apura se o presidente cometeu crime de prevaricação após supostamente ser informado de irregularidades

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    A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o presidente Jair Bolsonaro por possível crime de prevaricação no caso Covaxin, vacina indiana contra a covid-19 cuja compra pelo Ministério da Saúde é cercada de suspeitas de irregularidades. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (12) pela agência Reuters.

    O inquérito foi aberto pela PF depois que a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que o presidente fosse investigado no caso. A ministra do STF atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República, que recebeu uma notícia-crime enviada ao Supremo por senadores de oposição.

    Com o inquérito, a Polícia Federal poderá tomar o depoimento do chefe do Executivo e fazer outras diligências no caso. Bolsonaro foi citado no depoimento do deputado Luis Miranda (DEM-DF) à CPI da Covid. Segundo relatou o parlamentar, ele e seu irmão Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, alertaram o presidente sobre supostas irregularidades nas tratativas para compra de doses da vacina Covaxin em um encontro no Palácio da Alvorada, em fevereiro.

    Os senadores que entraram com a notícia-crime no Supremo alegam que o presidente não teria tomado providências após ser informado das suspeitas. A prevaricação é um crime contra a administração pública, no qual o agente público “retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício”, para “satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.

    A Polícia Federal vai apurar se Bolsonaro foi de fato informado das suspeitas pelos irmãos Miranda e se tomou medidas cabíveis. Esta é a segunda investigação contra Bolsonaro em curso no Supremo. O presidente também é alvo de outro inquérito, aberto no ano passado para apurar se ele cometeu crime em uma suposta tentativa de interferir no comando da Polícia Federal.

    No fim da tarde desta segunda (12), depois da divulgação da abertura do novo inquérito, Bolsonaro negou em entrevista ter cometido prevaricação no caso Covaxin. Ele afirmou que comunicou as suspeitas ao então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que não teria encontrado qualquer irregularidade. O presidente se recusou a confirmar se mencionou o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), como suposto envolvido nas negociações, conforme relatou o deputado Luis Miranda.

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