Maioria vê corrupção no governo Bolsonaro, segundo Datafolha

Mais de 60% dos brasileiros acham que houve irregularidades na compra de vacinas contra a covid-19 e presidente sabia das suspeitas, indica levantamento

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    Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada no domingo (11) indica que 70% dos brasileiros acreditam que há corrupção no governo de Jair Bolsonaro. Realizado em meio a revelações de suspeitas de irregularidades na compra de vacinas contra a covid-19, o levantamento mostra que 63% dos respondentes acham que houve corrupção no Ministério da Saúde. Para 64%, o presidente tinha conhecimento dela.

    Publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, a pesquisa foi realizada nos dias 7 e 8 de julho com 2.074 pessoas com mais de 16 anos. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

    Segundo o jornal, os grupos que mais veem corrupção no governo são jovens (78%), moradores do Nordeste (78%) e mulheres (74%) – estratos semelhantes àqueles que mais avaliam negativamente Bolsonaro. Dados do mesmo levantamento divulgados na quinta-feira (8) mostram que 51% dos brasileiros consideram a gestão do presidente ruim ou péssima, maior patamar de rejeição desde o início do mandato.

    Eleito com um discurso que prometia tolerância zero à corrupção, membros de seu governo já foram alvo de suspeitas de irregularidades antes. Mas agora o presidente enfrenta suspeitas de propina em negociações de vacinas na pandemia que já matou mais de meio milhão de pessoas no país. As revelações de possíveis desvios de dinheiro público, no caso Covaxin e em outras negociações com empresas intermediárias, viraram foco da CPI da Covid desde junho e deram nova vida à investigação que já se debruçava sobre as ações e omissões do governo federal na crise sanitária. O depoimento dos irmãos Miranda também aproximou as suspeitas do próprio Bolsonaro e levaram à abertura de um inquérito criminal para investigar se o presidente cometeu prevaricação.

    Os rumos da CPI engrossaram o coro pela abertura do impeachment e ampliaram a adesão dos protestos de rua contra o presidente, que passaram a encampar também a pauta contra a corrupção. Em meio à pressão, Bolsonaro tem apelado à sua base, reforçando seu discurso golpista e ameaçando a realização das eleições de 2022.

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