OAB vai apurar ataque de Wassef a jornalista, diz Santa Cruz

Advogado da família Bolsonaro ataca colunista do portal UOL que assina reportagens sobre rachadinha. Associações de imprensa repudiam ato, e presidente da entidade de advocacia diz que vai acionar corregedoria

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    O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, disse na sexta-feira (9) que pedirá à corregedoria da instituição que apure uma mensagem com ataques enviada pelo advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, à colunista do portal UOL Juliana Dal Piva. Na mensagem, publicada pela jornalista em sua coluna, o advogado pergunta se ela é paga pela esquerda para destruir o presidente da República e sugere que ela se mude para a China.

    “Faça lá o que você faz aqui no seu trabalho, para ver o que o maravilhoso sistema político que você tanto ama faria com você. Lá na China você desapareceria e não iriam nem encontrar o seu corpo

    Frederick Wassef

    advogado da família Bolsonaro, em mensagem enviada por WhatsApp à jornalista Juliana Dal Piva recebida em 9 de julho de 2021

    Jornalistas, políticos e associações de imprensa repudiaram a mensagem de Wassef e prestaram solidariedade à Dal Piva. No Twitter, a Anistia Internacional afirmou que “a liberdade de expressão é um direito humano que deve ser garantido”. Marcelo Träsel, presidente da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), afirmou que o comportamento de Wassef “é incompatível com o Estado de Direito e mesmo com as regras mais básicas de civilidade”.

    A mensagem de Wassef é uma resposta ao podcast “UOL Investiga - A vida secreta de Jair”, apresentado por Dal Piva. A série de reportagens traz a apuração da jornalista de casos de rachadinha envolvendo membros da família Bolsonaro. O primogênito do presidente, Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), atualmente senador, foi denunciado à Justiça por indícios de um esquema do tipo enquanto era deputado estadual, que ele nega.

    Rachadinha é o nome dado à prática ilegal de devolução salários de assessores para determinado parlamentar ou secretário a partir de um acordo, ou então como exigência para a função. Áudios de uma ex-cunhada de Bolsonaro publicados por Dal Piva citam um assessor que trabalhou no gabinete de deputado federal de Jair Bolsonaro entre 2006 e 2007 e teria sido demitido porque “nunca devolveu o dinheiro certo”. Na ocasião, Wassef disse jamais ter havido rachadinha no gabinete do hoje presidente e que não houve perícia dos áudios.

    Frederick Wassef se aproximou de Jair Bolsonaro em 2014 e se tornou uma espécie de conselheiro da família, ganhando maior projeção a partir de junho de 2019 quando assumiu a defesa de Flávio no caso das rachadinhas, que tem o ex-assessor Fabrício Queiroz como peça chave.

    Após um ano sumido, Queiroz foi encontrado em junho de 2020 num imóvel de Wassef na cidade de Atibaia (SP), ocasião em que foi preso preventivamente. Antes da prisão, o advogado afirmou desconhecer o paradeiro de Queiroz, fato que levou à abertura de um processo administrativo pelo Tribunal de Ética e Disciplina da OAB de São Paulo. Até o momento não houve nenhuma decisão sobre o colegiado responsável pelo caso.

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