Presidente do Patriota é afastado após ações para filiar Bolsonaro

TSE valida convenção partidária que tirou Adilson Barroso do comando da sigla em junho. Ele é acusado de manobras irregulares para abrigar bolsonaristas na legenda

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    O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) validou nesta quarta-feira (7) a convenção nacional do Patriota que oficializou o afastamento do presidente do partido, Adilson Barroso, por 90 dias e sua substituição no comando da sigla pelo vice, Ovasco Resende. A situação de Barroso na legenda depende agora de uma decisão do conselho de ética.

    O afastamento ocorre em meio à insatisfação de uma ala da sigla com a articulação encabeçada por Barroso para viabilizar a filiação do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. O racha teve como estopim a filiação ao partido do senador e filho do presidente da República Flávio Bolsonaro no final do mês de maio.

    Segundo opositores, desde então Barroso tem operado mudanças no estatuto sem quórum qualificado e desligando dirigentes compulsoriamente para facilitar a entrada de Bolsonaro no partido. Em 14 de junho, ele promoveu uma convenção partidária contestada por correligionários, da qual Flávio participou. Na ocasião, o senador afirmou que o pai precisava de “segurança jurídica” para se filiar ao Patriota.

    Ao jornal O Estado de S. Paulo, Resende, então vice-presidente e atual comandante interino da legenda, afirmou ao que o objetivo das mudanças seria abrir caminho para aliados do presidente da República assumirem diretórios regionais do partido. Em de 24 junho, foi realizada uma nova convenção partidária, na qual a maioria votou para afastar Barroso da presidência. Ele contestou na Justiça a validade dessa convenção, o que levou o caso ao TSE, que decidiu por referendá-la e afastá-lo do cargo.

    Eleito pelo PSL, Bolsonaro está sem partido desde novembro de 2019. Ele disputava o controle da sigla com o deputado Luciano Bivar, que havia cedido provisoriamente o comando da legenda ao presidente e seus aliados durante a campanha presidencial. Desde então, o presidente já anunciou planos para fundar seu próprio partido, o Aliança para o Brasil - que não saiu do papel -, e ensaiou uma volta ao PSL, além dessa investida mais recente sobre o Patriota, partido pelo qual cogitou sair candidato nas eleições de 2018.

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