Manifestantes associam presidente a propinas nas vacinas

Protestos enfatizaram responsabilização de Bolsonaro pelas mais de 500 mil mortes na pandemia, mas críticas à corrupção ganharam corpo

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    Mais de 100 municípios em 25 estados registraram atos contra o presidente Jair Bolsonaro neste sábado (3). Inicialmente marcada para 24 de julho, a terceira grande manifestação da oposição em 2021 foi antecipada após suspeitas de corrupção contra o governo federal na compra de vacinas.

    Segundo relatos da imprensa, os atos tiveram menos adesão do que os anteriores, em 19 de junho. Diversas capitais como Rio de Janeiro, Maceió, Florianópolis e Recife iniciaram o ato de manhã. Por isso, nessas cidades os protestos encerraram-se antes do fim da tarde. Em outras grandes cidades, como São Paulo, Porto Alegre e Brasília, os protestos começaram mais tarde e foram mais volumosos.

    Assim como nos dois últimos protestos, este também teve como motes a defesa da vacinação em massa, a responsabilização de Bolsonaro pelas 500 mil mortes na pandemia e o aumento do auxílio emergencial. Mas o que chamou a atenção dessa vez foi a adesão à pauta contra a corrupção. Na noite anterior aos protestos, a ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber abriu oficialmente uma investigação contra o presidente por suspeita de prevaricação, para investigar se Bolsonaro se omitiu ao tomar conhecimento de supostas irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin. O governo também é alvo de uma denúncia de propina em um suposto negócio envolvendo imunizantes da AstraZeneca.

    Diante disso, as imagens das manifestações mostraram uma série de adereços associando o presidente à corrupção. Marcaram presença itens como bonecos de papelão de Bolsonaro vestido de presidiário, cartazes com os dizeres “não era negacionismo, era corrupção” e notas falsas de um dólar com o rosto do político e manchas de sangue – alusão ao valor que um suposto intermediário disse ter sido pedido de propina por um servidor do Ministério da Saúde por dose de vacina da AstraZeneca. Em Brasília, os manifestantes pediram para que o presidente da Câmara, Arthur Lira, abra um processo de impeachment.

    Uma outra diferença em relação aos últimos atos foi a presença, ainda que lateral, de militantes do centro e da direita, sobretudo em São Paulo. Os atos foram organizados por centrais sindicais e movimentos sociais de esquerda, mas bandeiras com os slogans dos partidos PSDB, PV, Avante e até do PSL foram fotografadas na avenida Paulista. Jornalistas também registraram a presença de manifestantes vestidos de verde e amarelo, combinação usada nas manifestações pelo impeachment da petista Dilma Rousseff e que tem predominado nos protestos bolsonaristas.

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