Em depoimento confuso, vendedor confirma pedido de propina

Policial que diz representar a empresa Davati rearfirmou na CPI que ex-diretor do Ministério da Saúde pediu US$ 1 de suborno por dose de vacina

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    O policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que afirma ser representante da empresa Davati Medical Supply, confirmou nesta quinta-feira (1) à CPI da Covid que um funcionário do Ministério da Saúde pediu propina durante negociações de lotes da vacina AstraZeneca. O pedido de propina se concretizou. O pagamento e a evolução do processo, não, disse ao senadores.

    Dominguetti, dessa forma, reafirmou a acusação que havia feita em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Segundo ele, o então diretor de Logística do ministério, Roberto Dias, pediu propina de US$ 1 por dose da vacina que seria fornecida pela Davati. A promessa da fornecedora de medicamentos e insumos era obter 400 milhões da AstraZeneca para o governo. Após denúncia, o Ministério da Saúde exonerou Dias, que é apontado como apadrinhado do líder do governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). O deputado nega que tenha feito a indicação de Dias ao cargo. Já o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde disse, também ao jornal Folha de S.Paulo, que se encontrou, sim, com Dominguetti, mas afirmou que não pediu propina. Ele sugeriu que pode estar sendo vítima de uma armação.

    Dominguetti também afirmou à CPI que o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) teria buscado intermediar a venda de imunizantes pela Davati. Para tentar comprovar a declaração, o policial militar apresentou o áudio de uma conversa de Miranda com Cristiano Alberto Carvalho, apontado por Dominguetti como presidente-executivo da Davati. No diálogo, segundo o depoente, o deputado indica que poderia ajudar na intermediação com o governo.

    Veja como foi o depoimento

    Senadores da CPI disseram não ter ficado claro que a conversa tratava de vacina. “Eu sempre pedi cautela quando aparece jabuti na árvore”, disse o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), que considerou estranho o áudio surgir durante o depoimento. A CPI determinou então a apreensão do telefone celular do policial militar, que integra a corporação em Minas Gerais.

    O próprio Luís Miranda, que não faz parte da CPI, apareceu na sala da comissão e conversou, ao pé do ouvido, com senadores. Ele negou que o áudio se referisse a compra de vacinas. Carvalho, que recebeu o áudio originalmente, também desmentiu Dominguetti. Em depoimento à comissão em 25 de junho, Luís Miranda e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, disseram que avisaram o presidente Jair Bolsonaro sobre suspeitas de irregularidades no contrato de compra da vacina Covaxin pelo governo.

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