CPI da Covid convoca envolvidos em suspeitas de propina

Senadores aprovam pedidos para ouvir deputado Ricardo Barros, ex-membros de ministério e vendedor de vacina sobre negociação de imunizantes

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    A CPI da Covid no Senado aprovou na quarta-feira (30) a convocação do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, e de outros nomes envolvidos nas suspeitas de pedidos de propina em negociações de vacinas contra a covid-19. Serão chamados a falar Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Ministério da Saúde; Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa Davati Medical Supply; e o tenente-coronel do Exército Marcelo Blanco, que foi assessor no departamento de Logística do ministério.

    Dominguetti Pereira afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que o governo federal pediu propina na compra de vacinas contra a covid-19 durante uma negociação paralela para a aquisição do imunizante Oxford/AstraZeneca, com intermediação da Davati, que não avançou. Segundo o representante da empresa, Dias foi o responsável por pedir o valor de US$ 1 por dose comprada pelo governo, numa ocasião em que Blanco estava presente. Dias foi exonerado na quarta (30), após a publicação da reportagem da Folha.

    De acordo com o jornal, Dias foi indicado ao cargo por Ricardo Barros. O parlamentar nega, dizendo que a nomeação foi feita pelo ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em 2019, no início do governo Bolsonaro. Alguns depoimentos já têm data para acontecer:

    • Luiz Paulo Dominguetti Pereira, quinta-feira, 1º de julho (originalmente previsto para sexta-feira, foi adiantado)
    • Roberto Ferreira Dias, quarta-feira, 7 de julho
    • Ricardo Barros, quinta-feira, 8 de julho

    O depoimento de Blanco ainda não foi marcado. A CPI também aprovou a convocação de servidores, empresários e funcionários de empresas envolvidas em negociações de vacinas. O caso mais recente a vir à tona é o da negociação por doses da vacina Oxford/AstraZeneca intermediada pela Davati Medical Supply. A CPI já vinha apurando suspeita de favorecimento no contrato da Covaxin, que teve intermédio da empresa Precisa Medicamentos.

    Acordos envolvendo os imunizantes Convidecia e Sputnik-V também estão na mira da comissão. As suspeitas de irregularidades na negociação de vacinas se tornaram a principal linha de investigação da CPI da Covid no Senado, e aumentam a pressão sobre o governo Bolsonaro. Os envolvidos negam irregularidades.

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