Ministério da Saúde decide suspender compra da Covaxin

Congelamento do contrato ocorre em meio a suspeitas que envolvem Bolsonaro e Ricardo Barros, líder do governo na Câmara

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O Ministério da Saúde decidiu suspender o contrato de compra da Covaxin, vacina da fabricante indiana Bharat Biotech contra a covid-19. A decisão foi revelada nesta terça-feira (29) pela CNN Brasil, em meio a suspeitas de irregularidades nos negócios conduzidos pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a decisão foi tomada após recomendação da Controladoria-Geral da União, que iniciou uma apuração sobre suspeitas que envolvem pressões para que o negócio fosse fechado rapidamente e o alto preço acordado com os indianos. Já Bolsonaro é suspeito de não ter agido mesmo após ser alertado sobre irregularidades.

O contrato para aquisição da Covaxin, assinado com a empresa intermediária Precisa Medicamentos, previa a entrega de 20 milhões de doses da vacina a um custo total de cerca de R$ 1,6 bilhão. A Precisa e outras empresas do mesmo sócio têm histórico de irregularidades nos contratos com o Ministério da Saúde, quando o órgão era comandado por Ricardo Barros (PP-PR), hoje líder do governo na Câmara. A Bharat Biotech, a Precisa, Bolsonaro e Barros negam as ilegalidades.

A entrega das doses de Covaxin deveria ocorrer “de forma escalonada entre os meses de março a maio” de 2021, segundo informou o Ministério da Saúde à época. Mas, até junho, nenhuma dose chegou. Com isso, apesar do empenho (reserva) do montante acordado no Orçamento federal, não houve pagamentos à Precisa por parte do governo. Com a suspensão do contrato pelo Ministério da Saúde, o negócio fica congelado. Integrantes do governo ainda avaliam a possibilidade de cancelar a compra por completo.

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