Anvisa recebe pedido de uso emergencial da Covaxin

Suspeitas de irregularidades na compra do imunizante envolvem Bolsonaro e Ricardo Barros, líder do governo na Câmara

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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recebeu nesta terça-feira (29) o pedido de uso emergencial da vacina contra covid-19 Covaxin, apresentado pela empresa intermediária Precisa Medicamentos, representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biotech.

O pedido de uso do imunizante ocorre em meio às investigações da CPI da Covid no Senado. A negociação para aquisição da vacina indiana foi a mais cara e mais rápida da gestão federal na pandemia. Há suspeita de favorecimentos em sua compra, com possível envolvimento do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), que nega ilegalidades.

Além da CPI, o caso é alvo de investigação do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União. Há suspeita de que Jair Bolsonaro não teria agido mesmo depois de alertado sobre problemas no contrato. O presidente nega irregularidades e diz que nenhum tostão foi gasto no imunizante ainda (tampouco houve entrega de doses).

A Anvisa aprovou a importação da Covaxin em 4 de junho, depois de ter rejeitado um pedido anterior do governo em março. O laboratório Bharat Biotech só apresentou no dia 24 se junho os dados da fase 3 de testes da vacina aos órgãos reguladores da Índia, com resultados que apontam eficácia geral de 77,8%. Mas os detalhes do estudo ainda não foram publicados oficialmente.

Em comunicado, a Anvisa disse que vai iniciar a triagem dos documentos presentes no pedido de autorização para uso emergencial. Depois dessa triagem, a agência tem de 7 a 30 dias para aprovar ou não o uso emergencial da Covaxin. Com essa autorização o imunizante pode passar a ser usado na campanha nacional de imunização.

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