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5 perguntas sobre uma possível vacina para o coronavírus

Um dos perigos do novo coronavírus é que ainda não há tratamento ou vacina. Mas pesquisadores já trabalhavam em vacina para vírus semelhantes.

O coronavírus que começou na cidade de Wuhan matou pelo menos 132 pessoas na China e atingiu mais de 5.900 pessoas até terça-feira (28). Países como Tailândia, Hong Kong, Estados Unidos, Austrália, França e Alemanha também confirmaram casos da doença. É esperado que uma vacina desacelere a disseminação do vírus.

Existe uma vacina para o coronavírus em desenvolvimento?

O trabalho começou em diversas organizações, incluindo institutos nacionais de saúde, para desenvolver uma vacina para essa variação do coronavírus, conhecida pelos cientistas como 2019-nCoV.

Os cientistas acabaram de iniciar os trabalhos, mas a sua estratégia para o desenvolvimento da vacina vai se beneficiar de trabalhos feitos com vírus relacionados, como Sars e Mers, assim como avanços feitos em tecnologias de produção de vacinas, como vacinas de ácido nucleico, baseadas em DNA e RNA, que produzem o antígeno no seu próprio corpo.

O trabalho estava em curso para essa variedade específica do vírus?

Não, mas o trabalho estava sendo realizado para outros coronavírus semelhantes que podem ter causado doenças graves em humanos, principalmente Mers e Sars. Os cientistas não estavam preocupados com essa variedade em especial, já que não sabíamos que ela existia e poderia causar doenças em humanos até o início da crise.

Como os cientistas sabem quando trabalhar em uma vacina para o coronavírus?

O trabalho em vacinas para diversos coronavírus começou historicamente quando os vírus começaram a infectar humanos.

Considerando que essa é a terceira maior crise de um novo coronavírus que tivemos nas últimas duas décadas, e também levando em consideração a gravidade da doença causada por eles, devemos considerar investir no desenvolvimento de uma vacina que seria amplamente protetora contra esses vírus.

O que está envolvido nesse trabalho, e quando podemos de fato ter uma vacina?

O trabalho envolve desenhar as estruturas da vacina - por exemplo, produzindo os antígenos certos, proteínas virais que são alvos do sistema imunológico, seguido por testes em animais para provar que são eficientes e seguras.

Uma vez que a segurança e a eficiência são estabelecidas, as vacinas podem avançar para os testes clínicos em humanos. Se as vacinas induzem a resposta imunológica esperada e são seguras, elas podem ser produzidas em massa para a vacinação da população.

No momento, nos faltam vírus isolados – ou amostras do vírus – para testar as vacinas. Também nos faltam anticorpos para ter certeza de que a vacina está em boa forma. Precisamos do vírus para testar se a resposta imunológica induzida pela vacina funciona. Também precisamos definir em quais animais testar a vacina. Isso pode potencialmente incluir camundongos e primatas não humanos.

O desenvolvimento da vacina provavelmente levará meses.

Os humanos algum dia estarão protegidos desses tipos de epidemias?

Nós prevemos que esse tipo de crise ocorrerá no futuro próximo em intervalos irregulares.

Para tentar prevenir grandes crises e pandemias, precisamos melhorar a vigilância em humanos e animais a nível global e investir em avaliação de riscos, permitindo que os cientistas avaliem a potencial ameaça à saúde humana do vírus, para os vírus detectados.

Acreditamos que a ação global é necessária para investir em novas abordagens para vacinas que possam ser aplicadas sempre que emerge um novo vírus, como o atual coronavírus - e também vírus como o zika, ebola ou influenza. Atualmente, as respostas a patógenos emergentes são majoritariamente reativas, o que significa que elas começam após a crise acontecer. Precisamos de uma abordagem mais proativa apoiada por financiamentos contínuos.

Aubree Gordon é professora de saúde pública da Universidade de Michigan

Florian Krammer é professor de vacinologia da Escola de Medicina da rede Monte Sinai

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