O que levou a Warner a jogar o filme ‘Batgirl’ no lixo

Longa, que seria lançado no streaming em 2022, foi descartado por questões fiscais. Decisão é parte da nova administração do conglomerado

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

    Temas

    O conglomerado de mídia Warner Bros Discovery anunciou na terça-feira (2) que ia cancelar o lançamento do filme “Batgirl”, parte do universo de super-heróis da DC Comics, que estava marcado para o final de 2022. O filme, que já estava pronto, foi descartado.

    Inicialmente, “Batgirl” seria lançado no serviço de streaming HBO Max. No entanto, acabou sendo jogado no lixo por decisões empresariais que surgiram após a fusão da Warner Bros com a Discovery Inc, concretizada em abril. O mesmo aconteceu com “Scoob! 2”, nova animação de “Scooby-Doo”. Com as decisões, a Warner Bros Discovery teve um prejuízo de US$ 130 milhões.

    Neste texto, o Nexo explica porque o conglomerado decidiu deixar os dois filmes de lado e absorver a perda.

    A trajetória da empresa

    A Warner Bros é um dos estúdios mais antigos de Hollywood, fundado em 1923. Em 2018, ele foi comprado pela empresa de telecomunicações AT&T. Três anos depois, em 2021, a AT&T decidiu que formaria uma fusão com a Discovery.

    Com a decisão, a Warner foi removida da estrutura da AT&T e fundida com a Discovery, formando a empresa Warner Bros Discovery, que é constituída por acionistas de ambas.

    A fusão foi concluída em abril deste ano, e a nova administração chegou com decisões empresariais consideradas ousadas. No final de abril, a Warner Bros Discovery encerrou as atividades da plataforma de streaming CNN+, focada em conteúdo jornalístico. Ela tinha sido lançada três semanas antes. O argumento foi o de corte de custos e mudanças de estratégia.

    A cabeça por trás das decisões é o executivo David Zaslav, CEO do conglomerado, que tem investido em redução de custos e modelos tradicionais de lançamento das produções da empresa, com foco maior na chegada dos filmes e séries ao cinema e à TV, por acreditar que esses modelos são mais lucrativos que o streaming.

    O fim da Batgirl

    “Batgirl” foi filmado entre novembro e 2021 e fevereiro de 2022, com direção de Adil El Arbi e Bilall Fallah (“Ms. Marvel”).

    A protagonista foi interpretada por Leslie Grace (“Em um bairro de Nova York”), e traria o retorno de Michael Keaton como o Batman, personagem que interpretou em 1989 e 1992 em filmes dirigidos por Tim Burton. Além disso, o ator Brendan Fraser, afastado das câmeras há mais de uma década, voltaria a atuar.

    De acordo com a revista Variety, a decisão de jogar “Batgirl” no lixo veio por ordem de Zaslav. O motivo? Impostos.

    Com orçamento de US$ 90 milhões, lançar “Batgirl” no streaming traria resultados “aquém das expectativas”, já que o filme seria um projeto de médio orçamento. Por outro lado, lançar o filme nos cinemas seria caro demais. Ao deixar o projeto de lado, o estúdio consegue restituir parte dos impostos pagos e amortizar o prejuízo.

    A Warner Bros Discovery não se pronunciou oficialmente sobre as razões para o cancelamento. Um posicionamento deve vir na quinta-feira (4), durante um evento da empresa com seus acionistas.

    Nas redes sociais, fãs da DC Comics não reagiram bem ao cancelamento. Publicações descontentes sobre o destino dado ao projeto foram abundantes e majoritárias.

    Para o crítico de cinema Guy Lodge, da Variety, a decisão mostra como os estúdios veem os blockbusters apenas como meros produtos, e não como criações artísticas. “Essa história é a prova disso”, afirmou em seu perfil no Twitter.

    Natália Bridi, crítica de cinema e apresentadora do canal de YouTube Entre Migas, se disse chocada com a decisão. “Tem que ser muito rico para gastar 90 milhões em um filme e deixar no limbo”, afirmou em seu perfil no Twitter.

    Na visão de Marina Rodrigues, cineasta que atua na área da produção executiva do audiovisual brasileiro, trata-se de uma ilustração perfeita de por que serviços de streaming devem ser regulados. “Os monopólios do entretenimento da próxima década serão muito piores de lidar do que já se existia desde então”, disse no Twitter.

    O mesmo destino de “Batgirl” foi dado a “Scoob! 2”. Há expectativa de que o mesmo possa acontecer com “The Flash”, outro filme da DC Comics, marcado para 2023, mas que está envolto em polêmica após comportamentos violentos do ator protagonista, Ezra Miller.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.