O que você precisa saber sobre o Censo 2022

Coleta de informações começa em 1º de agosto. Pesquisa é importante para balizar gestão pública

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    O Censo 2022 começa nesta segunda-feira (1º), comandado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    Com dois anos de atraso – decorrente da pandemia da Covid-19 e disputas orçamentárias –, o Censo tem como objetivo levantar a cada década dados estatísticos sobre a população do país e serve como uma importante ferramenta para o estabelecimento de políticas públicas nas mais diversas áreas.

    Neste texto, o Nexo responde às principais perguntas sobre a realização do Censo em 2022.

    O que é o Censo?

    A palavra censo deriva do latim “census”, que significa “recenseamento, lista ou rol das pessoas e dos bens, feito pelo censor”. O objetivo da operação é contar os habitantes do território nacional e revelar como eles vivem, ao identificar suas principais características socioeconômicas. É, portanto, um retrato da sociedade num determinado momento de sua história, feito por meio de uma pesquisa quantitativa.

    A finalidade da operação, porém, não se resume a levantar o número de habitantes. Os recenseadores querem saber também como as pessoas vivem. A importância do levantamento está em detalhar a condição de cada um dos domicílios brasileiros. Isso permite que se compare os dados com os censos anteriores, possibilitando que os governos conheçam a evolução de algumas de suas características.

    Quando o Censo vai ser realizado?

    O Censo 2022 vai ser realizado de agosto a novembro de 2022, em todos os municípios do país, passando por 89 milhões de endereços.

    Responder o Censo é obrigatório?

    Os recenseadores devem visitar todos os domicílios do país no período de quatro meses. Ao menos uma pessoa de cada domicílio, com idade acima de 12 anos, deve responder às perguntas da pesquisa.

    Informar os dados solicitados na pesquisa é obrigatório. Em caso de recusa, os recenseadores citam a lei nº 5.534, de 14 de novembro de 1968. Em seu artigo 1º ela diz que “toda pessoa natural ou jurídica de direito público ou de direito privado que esteja sob a jurisdição da lei brasileira é obrigada a prestar as informações solicitadas pela Fundação IBGE para a execução do Plano Nacional de Estatística”.

    Em caso de descumprimento, a pessoa pode ser multada em dez vezes o valor do salário mínimo (de R$ 1.212 em 2022). A multa pode chegar a 20 vezes em caso de reincidência. Os entrevistadores também precisam ressaltar que o caráter das informações colhidas é sigiloso.

    Como identificar os recenseadores?

    Os recenseadores estarão sempre uniformizados, com o colete de identificação, boné do Censo, crachá e o Dispositivo Móvel de Coleta. É possível confirmar a identidade do agente do IBGE no site do órgão ou pelo telefone 0800 721 8181.

    Quanto tempo a visita dura?

    O tempo da visita varia entre 5 e 16 minutos, a depender do tipo de questionário que será respondido. O questionário básico é respondido em 5 minutos ou menos. Já o questionário ampliado leva 16 minutos, em média. A seleção de quem irá responder o questionário ampliado é aleatória e feita automaticamente pelo Dispositivo Móvel de Coleta do recenseador.

    E se eu não estiver em casa?

    Caso o recenseador não encontre o morador na primeira visita, ele deixará um bloco de recado e/ou tentará o contato por telefone. Além disso, o recenseador deverá retornar ao domicílio, no mínimo, mais quatro vezes, sendo que uma obrigatoriamente em turno alternativo.

    A coleta só pode ser feita presencialmente?

    Em 2022, há a possibilidade de responder o Censo por telefone ou internet. No entanto, uma visita do recenseador ainda é necessária para captar as coordenadas geográficas do domicílio e estabelecer contato com os respondentes.

    O que é perguntado?

    O questionário básico do Censo tem 26 perguntas. Já o questionário ampliado conta com 77 perguntas. Os temas vão de informações básicas, como identificação étnico-racial, registro civil, educação, rendimento do responsável pelo domicílio e mortalidade, a questões mais específicas, como identificação religiosa, deficiências dos moradores e tempo de deslocamento entre residência e trabalho.

    Por que o Censo é importante?

    O Censo serve tanto para os governos identificarem áreas prioritárias em saúde, educação, habitação, transporte, energia — e definirem, a partir disso, políticas públicas —, como para a iniciativa privada investir seus recursos. A partir do Censo, os governos sabem quem são as pessoas que vivem nos domicílios, como elas são, onde vivem e como vivem.

    Os dados levantados pelo Censo são essenciais para o repasse de recursos da União que ocorre nos dias 10, 20 e 30 de cada mês para os municípios. O mesmo ocorre com o FPE (Fundo de Participação dos Estados), que prevê repasse de 21,5% dos mesmos impostos para as unidades federativas, com base na população e na renda per capita.

    Desde a década de 1990, usa-se o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) para calcular o grau de desenvolvimento humano de países, possibilitando comparações. O índice combina dados sobre expectativa de vida ao nascer, acesso ao conhecimento (escolaridade) e padrão de vida (PIB per capita). Por isso, os indicadores de educação e mercado de trabalho levantados pelo IBGE e a construção das tábuas de mortalidade são essenciais para o cálculo desse indicador.

    Por que o Censo foi adiado?

    Tradicionalmente feito a cada dez anos, o levantamento era previsto para 2020, mas foi adiado para 2021 devido à pandemia de Covid-19. Além disso, 90% da verba destinada ao Censo no Orçamento de 2021 foi cortada conforme o projeto de lei passou pelo Congresso e foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro, em março, inviabilizando a realização da pesquisa. À época, a então presidente do IBGE, Susana Guerra, pediu demissão.

    Decisão do Supremo obrigou o governo a realizar o Censo em 2022 impreterivelmente, sob o risco de “deixar o país às cegas.”

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