3 boatos verificados esta semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 42 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação

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    As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

    Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que teve início em 2018, está agora em seu quinto ano e conta com a colaboração de 42 veículos de comunicação para monitorar e verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal, a pandemia de covid-19, e as eleições de 2022.

    O Nexo resume, abaixo, três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

    Documento não prova fraude em eleição de 2018

    Em tuítes, textos e uma entrevista publicada no YouTube, o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio afirma que um “documento secreto” da Procuradoria-Geral Eleitoral “revela” que o presidente Jair Bolsonaro teria vencido a eleição de 2018 no primeiro turno com 50,69% dos votos. (Bolsonaro teve 46,03% dos votos no primeiro turno e 55,13% no segundo, contra 44,87% de Fernando Haddad).

    Isso não é verdade. O referido documento é uma denúncia ajuizada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que questiona a lisura do pleito de 2018. A Procuradoria-Geral Eleitoral não identificou irregularidades na apuração dos votos e solicitou o arquivamento da ação. O documento é público e está disponível no site do Ministério Público Federal.

    Até o dia 26 de julho, um tuíte enganoso do blogueiro tinha 14,6 mil curtidas, 209 comentários e 4.624 compartilhamentos. A publicação foi marcada como “enganosa” pelo próprio Twitter. Um vídeo postado no YouTube reunia 45.768 visualizações até o dia 28. A verificação foi realizada pela Folha de S.Paulo, Correio Braziliense, Piauí e Crusoé, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

    Lei para imprimir votos foi derrubada em 2013

    Um vídeo publicado no TikTok apresenta trecho de um telejornal da TV Globo que foi ao ar em 2009, com a notícia de que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia sancionado uma lei que estabelecia o comprovante impresso de voto no Brasil, a partir das eleições de 2014. O autor da postagem questiona: “Qual é a narrativa agora? Estão entendendo que o golpe já está dado?”.

    A Lei 12.034 previa que, após a votação na urna eletrônica, um comprovante seria impresso pelo dispositivo. Essa impressão seria depositada, de forma automática e sem contato com o eleitor, em um recipiente previamente lacrado, servindo para eventuais auditorias.

    No entanto, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a lei em 2011 e a derrubou definitivamente em 2013, antes que a regra começasse a valer — fato omitido pelo autor do post. O tribunal considerou a prática inconstitucional, por comprometer tanto o sigilo quanto a inviolabilidade do voto, direitos assegurados na Constituição Federal.

    Até o dia 22 de julho, o vídeo somava mais de 868,2 mil reproduções, 48,5 mil curtidas e 562 comentários no TikTok. A verificação foi realizada pelo UOL, O Povo e O Popular, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

    Não há prova de fraude em ‘apagões’ nas eleições

    Em um vídeo publicado no YouTube, um homem afirma que as Forças Armadas do Brasil descobriram fraudes nas eleições de 2014 e 2018, ocasionadas por apagões que teriam alterado a sequência de divulgação dos votos. O autor diz ainda que o presidente Jair Bolsonaro (PL) iria revelar os documentos que provariam as fraudes em reunião com embaixadores no dia 18 de julho, o que não aconteceu.

    No segundo turno da eleição presidencial de 2014, houve queda de energia com duração de 20 minutos em dez cidades de Roraima. Na época, o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima disse que o problema não atrapalhou na votação. O blecaute ocorreu fora do período de apuração dos votos, que começa após o fim da votação.

    Em relação à eleição de 2018, a transmissão de informações à imprensa sobre os resultados da votação para presidente no primeiro turno foi interrompida momentaneamente em São Paulo e Minas Gerais, por causa de problemas técnicos. O TSE disse que a transmissão foi feita por uma empresa terceirizada que recebia os dados da votação já totalizados. A falha não alterou o resultado das eleições.

    Até o dia 20 de julho, o vídeo alcançou mais de 10,2 mil visualizações, 2.300 curtidas e 146 comentários no YouTube. No dia 25, o vídeo foi excluído por violar as diretrizes da plataforma. A verificação foi realizada pelo Plural Curitiba, O Popular, Folha de S.Paulo e Metrópoles, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

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