3 boatos verificados esta semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 40 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação

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    As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

    Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que teve início em 2018, está agora em seu quinto ano e conta com a colaboração de 40 veículos de comunicação para monitorar e verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal, a pandemia de covid-19, e as eleições de 2022.

    O Nexo resume, abaixo, três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

    Montagem atribui fala contra igrejas a ex-tesoureiro do PT

    Um vídeo publicado no TikTok mostra o trecho de uma transmissão do programa Cidade Alerta Sergipe, da TV Atalaia, afiliada à Record. O apresentador chama a atenção para o áudio de um homem que incentiva grupos políticos de esquerda a atacar igrejas aliadas do presidente Jair Bolsonaro (PL), em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à Presidência em 2022.

    Um gráfico usado para exibir a gravação traz uma foto do ex-tesoureiro do PT e ex-deputado federal Paulo Ferreira (PT-RS), insinuando que a declaração seria dele. Mas o vídeo é uma montagem. O áudio, de origem desconhecida, e a foto de Ferreira não foram exibidos na transmissão original do programa, localizada pelo Comprova.

    A voz na gravação também não se assemelha à do ex-deputado. “Nunca, em qualquer momento da minha trajetória política, eu expressei esse conceito que a gravação acaba emitindo, de ataque às religiões”, afirmou ele ao Comprova. “Não é a minha voz, nem é o conteúdo que eu expresso e nem a minha opinião sobre o tema”.

    Até o dia 11 de maio, o vídeo manipulado alcançou 40 mil compartilhamentos no TikTok. A verificação foi realizada pelo Correio de Carajás e O Dia, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

    Post tira falas de Djavan de contexto para atacar Rouanet

    Um post no Facebook traz uma imagem do cantor Djavan com a frase “ele é contra a Lei Rouanet”. Na legenda, o autor da postagem apresenta uma citação do artista: “Nunca usei e nunca vou usar. (...) Eu nunca usei porque não preciso e não acho que eu deva usar um dinheiro que pode ser melhor aplicado”.

    A declaração foi dada por Djavan em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, em 2018. Mas o post omite a sequência da fala, em que o cantor esclarece que não é contra a lei de incentivo à cultura: “Acho que tem muita gente que precisa ser ajudada pela Lei Rouanet. O Brasil é enorme, precisa de cultura em todos os quadrantes. O povo precisa usufruir disso”, afirmou. “Não reclamo de quem usa. Eu é que peguei para mim a coisa de não recorrer à Lei Rouanet”.

    Criada em 1991, a Lei Rouanet permite que produtores culturais busquem investimento privado para financiar iniciativas de áreas como cinema, música, artes plásticas, entre outras. Em troca, as empresas podem abater parte do valor investido no imposto de renda.

    Até o dia 6 de maio, o post enganoso reuniu mais de 3.800 reações no Facebook. A verificação foi realizada pelo Estadão e O Dia, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

    ‘Fê Minazzi’ não é filha de Maria do Rosário

    Em vídeos que circulam no Facebook, uma mulher que se apresenta como Fernanda Minazzi faz uma convocação para um ato chamado de “maconhaço” em apoio ao ex-presidente Lula. Os posts identificam a jovem como filha da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).

    Fernanda, na verdade, é uma personagem fictícia criada pela atriz Rafaella Gappo como uma sátira de militantes de esquerda. O nome “Fê Minazzi” é um trocadilho com “feminazi”, termo pejorativo que vem da junção de “feminista” com “nazista”. A atriz e a parlamentar negam ter qualquer parentesco uma com a outra.

    Até o dia 9 de maio, um post com a informação falsa reunia 448 interações e 273 compartilhamentos no Facebook. Outra postagem com o mesmo conteúdo deixou de estar disponível publicamente ou foi excluída. A verificação foi realizada por Imirante.com e CBN Cuiabá, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

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