3 boatos verificados esta semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 40 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação

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As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que teve início em 2018, está agora em seu quinto ano e conta com a colaboração de 40 veículos de comunicação para monitorar e verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal, a pandemia de covid-19, e as eleições de 2022.

O Nexo resume, abaixo, três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

Dilma não reduziu conta de energia em ano eleitoral

Um post no Twitter sugere que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) age de forma partidária porque teria visto como “criminosas” possíveis medidas do presidente Jair Bolsonaro (PL) para diminuir o preço do combustível em ano eleitoral, mas não teve o mesmo entendimento quanto a uma medida do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) que reduziu a tarifa da energia elétrica.

No entanto, diferentemente do que diz o tuíte, a referida medida provisória do governo Dilma não foi emitida a “poucos meses das eleições”. O texto, que cortou a tarifa de energia em 18% para residências e em 32% para a indústria, foi assinado em 2012 e passou a valer em janeiro de 2013 — mais de um ano antes da eleição presidencial realizada em outubro de 2014.

Já o governo Bolsonaro fez uma consulta ao TSE, em 16 de março de 2022, sobre a possibilidade de reduzir a alíquota de impostos sobre combustíveis em ano eleitoral. A consulta foi arquivada no dia 22 de março, sem análise do mérito, por questões técnicas. Ministros da corte afirmaram à CNN Brasil, reservadamente, que a medida configura crime e que provavelmente seria derrubada caso o tema chegasse ao tribunal.

Até a publicação da checagem, o post enganoso reuniu mais de 2.000 interações no Twitter. A verificação foi realizada por Poder 360 e CNN Brasil, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Multa paga pela Petrobras não causou atual alta da gasolina

Um post no Twitter atribui ao presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, falas relacionando o aumento no preço dos combustíveis a um pagamento de indenização feito pela estatal ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos. “Nós estamos terminando de pagar a ação indenizatória que o povo americano entrou na Justiça pelos roubos da era Lula e Dilma na Petrobras e fez a empresa quase falir”, ele teria dito à rádio Jovem Pan, segundo a postagem.

Procurada pelo Comprova, a Petrobras negou que Silva e Luna tenha dito qualquer frase nesse sentido à emissora. No canal do YouTube da Jovem Pan, há apenas uma entrevista com o presidente da empresa. No vídeo, a frase não é dita, e o general afirma que a contribuição da estatal no preço da gasolina é “pequena”.

Em setembro de 2018, a Petrobras fez um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA para pagar uma multa indenizatória de US$ 853,2 milhões por irregularidades investigadas na Operação Lava Jato. Desse valor total, 20% foram pagos a autoridades do governo americano, e os demais 80% foram destinados a instituições brasileiras. A empresa concluiu as obrigações previstas no acordo em outubro de 2021.

O mais recente reajuste no preço da gasolina que a Petrobras comercializa às distribuidoras foi anunciado em 11 de março de 2022. A justificativa dada pela empresa foi o aumento no preço internacional do petróleo como consequência da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Desde 2016, a estatal adota uma política pela qual o preço dos combustíveis no Brasil é pautado pela cotação do barril de petróleo no mercado internacional – em dólar.

Até o dia 21 de março, o post verificado reuniu 4.361 curtidas, 1.792 compartilhamentos e 161 comentários no Twitter. A verificação foi realizada por Metrópoles e O Dia, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Vacina de mRNA não é ‘terapia genética’

Em um vídeo que circula no YouTube e Telegram, o médico urologista Alain Machado da Silva Dutra retoma uma série de afirmações falsas contra as vacinas de RNA mensageiro (ou mRNA) que circulam desde que a tecnologia passou a ser utilizada. Entre elas, há a ideia de que esse tipo de imunizante é um “terapia genética experimental”.

Uma nota publicada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em 7 de janeiro de 2022, aponta que o uso do termo é incorreto: “Segundo normas vigentes (...) a terapia gênica utiliza-se de material genético humano, manipulado em laboratório, para tratamento de doenças genéticas ou relacionadas”, afirma o órgão.

Já as vacinas de RNA contra a covid-19 funcionam a partir da inserção de um pedaço da sequência de RNA do Sars-CoV-2 — uma molécula que tem como principal função sintetizar proteínas — no organismo. O RNA instrui células no corpo da pessoa vacinada a produzir proteínas do vírus, o que estimula a resposta imunológica. Todo o processo acontece fora do núcleo da célula, que abriga o DNA humano, de forma que não causa nenhuma alteração no material genético.

Até o dia 22 de março, o vídeo verificado reuniu mais de 83 mil visualizações no YouTube e 4.400 no Telegram. A verificação foi realizada por Estadão e Imirante.com, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

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