10 perguntas e respostas sobre como lidar com a covid e a gripe

Quando devo fazer testes? Quanto tempo preciso me isolar? Em que situação ir ao hospital? O ‘Nexo’ esclarece dúvidas comuns diante da onda de doenças respiratórias que atinge o país 

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

    Devido à circulação da variante ômicron do novo coronavírus, mais transmissível do que as cepas anteriores, o Brasil tem enfrentado uma explosão de novos casos de covid-19. As buscas por atendimento em prontos-socorros e por testes rápidos de diagnóstico em farmácias vêm aumentando no país desde meados de dezembro. A situação é ainda mais grave porque a alta de casos coincide com uma epidemia de gripe causada por uma cepa do H3N2, um subtipo do vírus Influenza A, que causa sintomas parecidos.

    O impacto das duas doenças respiratórias não é totalmente conhecido por causa do apagão de dados do Ministério da Saúde, ocorrido no início de dezembro após um ataque hacker contra os sistemas de notificação do governo. Por causa das infecções, setores da economia — e até os considerados essenciais, como os hospitais — estão ficando desfalcados na medida em que funcionários precisam se isolar. Seguindo o exemplo de outros países, como os Estados Unidos, o governo federal decidiu reduzir o tempo de isolamento, antes de 14 dias, para intervalos que podem variar de cinco a dez dias. O objetivo é reduzir o impacto da doença no funcionamento das atividades.

    A onda de doenças respiratórias tem gerado dúvidas sobre os procedimentos necessários diante de suspeitas de infecção e de diagnósticos positivos. Neste texto, o Nexo responde a dez perguntas comuns sobre temas como os sintomas causados pelos vírus, a proteção das vacinas, os testes de diagnóstico, o isolamento em caso de infecção e as formas de prevenção.

    Quais os sintomas de covid-19? E de influenza?

    As duas doenças compartilham sintomas. No caso da covid-19, os principais são febre (igual ou superior a 37,8ºC, segundo protocolo no Ministério da Saúde), tosse, fadiga, dispneia (dificuldade de respirar), mal-estar e mialgia (dor muscular), dor de garganta, coriza e sintomas gastrointestinais, como diarreia (considerados mais raros). Do quinto ao oitavo dia, a pessoa pode perder o olfato e o paladar. Caso a doença não evolua bem, a falta de ar pode ficar pior no décimo dia. Nem todos os sintomas se manifestam e podem variar de pessoa a pessoa — os infectados podem, inclusive, permanecer assintomáticos.

    No caso da gripe causada pelo vírus Influenza, os sinais são febre alta e persistente no início do contágio, indisposição, inflamação na garganta, calafrios, coriza, perda de apetite, lacrimejamento, vômito, dores articulares, tosse, mal-estar e diarreia, principalmente entre crianças. Uma diferença apontada por especialistas é que os sintomas da gripe aparecem logo no início, de 24 horas a 48 horas após a infecção. Já na covid-19, eles demoram um pouco mais e surgem ao longo dos dias. A diferenciação entre as duas doenças é feita por testagem.

    Posso pegar essas doenças mesmo estando vacinado contra covid-19 ou gripe?

    Nenhuma vacina é 100% eficaz contra uma doença, sendo possível a infecção mesmo após a vacinação. Por isso, o recomendado é manter os cuidados de prevenção, como o uso de máscaras, o distanciamento, a higiene das mãos e a ventilação dos ambientes. As vacinas induzem o sistema imunológico a produzir anticorpos contra os vírus, que deixam o organismo preparado caso a infecção realmente ocorra. No caso da covid-19, a proteção é mais robusta após 14 dias da segunda dose. Como os cientistas observaram uma queda nos níveis de anticorpos cerca de três meses depois do ciclo de vacinação, países como o Brasil adotaram uma dose extra, de reforço, aplicada quatro meses após a segunda dose. Dados da pandemia têm demonstrado que, mesmo que a infecção ocorra após a vacinação, os sintomas são mais leves. As vacinas reduzem significativamente as chances de internação e morte.

    No caso da epidemia de Influenza que atinge o Brasil, as vacinas usadas no país durante a campanha de 2021 não protegem contra a cepa do H3N2 em circulação, porque ela não consta da formulação dos imunizantes. A previsão é que as vacinas específicas para o vírus só estejam disponíveis em março. Por isso, é recomendado que as medidas não farmacológicas, como o uso da máscara, sejam mantidas.

    O que fazer se acho que estou com uma das duas doenças?

    É preciso fazer um teste para tirar a dúvida e, caso os sintomas sejam leves, não correr imediatamente para os hospitais. A recomendação tem sido dada pelos médicos devido à espera de até seis horas por atendimento e à lotação dos prontos-socorros. A teleconsulta é apontada como uma alternativa para essas situações. A orientação, porém, serve apenas para quem não tem fator de risco para a doença. A situação é diferente no caso de idosos, imunodeprimidos, pessoas com doenças pré-existentes e crianças com menos de cinco anos, que precisam ter o cuidado redobrado tanto para a covid-19 quanto para a gripe. Ambas as doenças são perigosas e podem levar à morte.

    Em quais situações devo ir ao hospital?

    Caso haja uma piora dos sintomas, com febre persistente, falta de ar ou baixa oxigenação no sangue, que pode ser medida por oxímetros vendidos em farmácias, é preciso procurar imediatamente ajuda médica.

    O que fazer se tiver contato com alguém com covid?

    A realização do teste é importante nesse caso, porque a pessoa pode ter sido infectada, não apresentar sintomas, e mesmo assim transmitir o vírus. O teste precisa ser feito por volta do quinto dia após o contato, para que as chances de identificação do vírus sejam maiores. Até a realização do exame, é recomendado o isolamento, para que a doença não seja transmitida a outras pessoas.

    Se não houver disponibilidade de testes, o ideal é ficar em quarentena por até cinco dias após o contato para observar se os sintomas vão aparecer, segundo recomendação do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), dos Estados Unidos, também adotada por municípios como São Paulo, Rio de Janeiro e pelo Ministério da Saúde.

    Em quais situações devo me testar?

    A testagem deve ser feita quando a pessoa apresentar sintomas gripais ou ter tido contato com alguém que teve o diagnóstico da doença. A medida é importante para identificar pessoas infectadas e isolá-las, interrompendo a cadeia de transmissão do vírus. Muitos países, como o Reino Unido, apostam na estratégia de testagem como política pública de saúde para controlar a pandemia, inclusive distribuindo gratuitamente para a população exames rápidos que podem ser feitos em casa.

    O diagnóstico também é importante para a definição do tratamento médico, diferente dependendo da doença. No caso da covid-19, embora os laboratórios Merck e Pfizer tenham anunciado o desenvolvimento de pílulas antivirais para serem usadas no início dos sintomas, elas ainda não estão disponíveis na maioria dos países, e a doença continua sem tratamento específico. Já no caso da Influenza, existe um protocolo indicado para pessoas de risco com o uso do oseltamivir, medicamento comercializado com o nome de Tamiflu, que pode ser administrado em até 48 horas após o início dos sintomas, sob orientação médica.

    Onde posso encontrar testes?

    Na rede pública, os testes são feitos em UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e em postos de testagem, a depender do município. Na rede privada, hospitais que recebem pacientes com sintomas de síndrome gripal podem fazer o exame, caso esteja no tempo certo para isso, com o valor coberto pelo plano de saúde. O exame padrão-ouro, realizado a partir da coleta de secreções do nariz e da boca, é o RT-PCR, que é mais exato, porém mais demorado (pode levar horas ou dias), por depender de processamento das amostras em laboratório. Ele é mais preciso a partir do terceiro dia de sintomas e também pode ser feito em laboratórios privados. Já nas farmácias, é possível realizar o teste rápido de antígeno, também com a coleta de secreções nasais por meio de um cotonete, e o resultado sai em até 30 minutos. Ele deve ser feito quando o paciente estiver com os sintomas bem agudos da doença, por ser mais preciso nesse período. No caso das pessoas assintomáticas, que queiram fazer o teste, o recomendado é no quinto dia. Laboratórios também oferecem testes para detectar o vírus da Influenza. O ideal é que seja feito até o terceiro dia do início dos sintomas.

    Qual o tempo de quarentena para covid? E para influenza?

    O período de duração das doenças varia muito. No caso, da covid-19, o tempo médio de incubação do vírus — que vai da infecção à manifestação dos primeiros sintomas — é de cinco a seis dias, mas pode chegar a até 14 dias. Nesse período pode ocorrer a transmissão. Por causa disso, o Ministério da Economia e o Ministério da Saúde definiram, ainda no início da pandemia, que o tempo de afastamento pela doença seria no Brasil de até duas semanas. O entendimento sobre o tempo de isolamento foi mudando ao longo do tempo.

    Em junho de 2020, com o resultado de novos estudos, a OMS (Organização Mundial da Saúde) reduziu de 14 para dez dias a recomendação para o isolamento de pessoas que não apresentam sintomas (mas que se infectaram ou tiveram contato com doentes) — casos sintomáticos deveriam manter o isolamento de duas semanas.

    O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), dos Estados Unidos, também adotava dez dias, mas no final de dezembro de 2021, para tentar minimizar o impacto da ômicron nos serviços, reduziu o afastamento para cinco dias para quem foi diagnosticado com covid-19 mas não manifestou a doença, ou não teve febre no período e já se curou dos outros sintomas. Nos cinco dias após o isolamento, a recomendação é usar máscaras. Se o resultado de um teste feito após cinco dias continuar positivo, o isolamento permanece até o décimo dia.

    A redução para cinco dias de isolamento de assintomáticos já foi definida pela cidade do Rio de Janeiro e por São Paulo, que adotaram sete dias para os sintomáticos que se vacinaram.

    O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu a ideia e anunciou, na segunda-feira (10), a mudança na recomendação da pasta:

    • Isolamento de cinco dias: pessoas sem sintomas, sem febre e uso de remédios nas 24 horas antes do quinto dia que tiverem resultado negativo no teste podem sair do isolamento. Com resultado positivo, ficam em isolamento até o décimo dia.
    • Isolamento de sete dias: pessoas sem sintomas por pelo menos 24 horas antes do sétimo dia podem automaticamente sair do isolamento sem precisar fazer teste. No caso de terem apresentado sintomas nos dias anteriores, só estão liberadas se tiverem 24 horas sem manifestações da doença e com resultado negativo no teste.
    • Isolamento de dez dias: pessoas sem sintomas até 24 horas antes do décimo dia estão liberadas. Não é necessário novo teste após o tempo limite de isolamento. Os cuidados devem ser mantidos após o período.

    No caso do H3N2, o período de incubação é de três a cinco dias. No total, o período em que a pessoa pode transmitir o vírus é de até 14 dias no caso das crianças e de até sete dias, nos adultos. Por isso, a recomendação é que as pessoas se isolem por esses períodos.

    Devo parar de trabalhar mesmo estando assintomático?

    Mesmo os assintomáticos podem transmitir a doença e devem ser afastados do trabalho presencial. Há uma diferença, entretanto, entre isolamento e licença médica. No primeiro caso, o funcionário é dispensado do serviço presencial para não contaminar os demais, mas pode continuar trabalhando a distância se não tiver os sintomas da doença. No caso da licença, a pessoa não tem condições físicas de exercer as atividades e pode ficar afastada com a apresentação do atestado médico, inclusive no esquema remoto, em home office.

    Quais as formas de me prevenir?

    Tanto o vírus Sars-CoV-2, que causa a covid-19, quanto o H3N2, responsável pela gripe, são transmitidos por meio de gotículas expelidas na fala, tosse, espirro e até mesmo na respiração. Partículas minúsculas, chamadas de aerossóis, podem ficar suspensas no ar, especialmente em locais fechados e sem ventilação. A maneira de prevenir é a mesma para as duas doenças: usar máscaras, especialmente do tipo PFF2 (respirador testado e certificado), bem presas ao rosto, manter o distanciamento, evitar aglomerações, e deixar os ambientes bem ventilados e arejados, além de manter a higiene das mãos. A vacinação com as três doses contra a covid-19 é essencial para garantir a proteção contra o vírus e reduzir os riscos de desenvolver casos graves e de morrer pela doença.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.