A plataforma de editais para formação de lideranças negras

Iniciativa da Fundação Tide Setubal oferece auxílio financeiro, bolsas de estudo e atividades profissionalizantes a pessoas de origem periférica

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    A plataforma Alas, lançada em 27 de setembro pela Fundação Tide Setubal, reúne recursos voltados à formação de pessoas negras com o objetivo de “acelerar a busca pela equidade racial nas posições de liderança” — seja no setor empresarial, na política, no sistema judiciário ou no meio acadêmico.

    Por meio do site, é possível acessar diferentes editais que oferecem atividades de desenvolvimento profissional, bolsas de estudo em universidades e aportes financeiros de até R$ 15 mil para a população negra de origem periférica.

    “Atuar na direção da desconstrução de ideias racistas nos diferentes espaços da nossa sociedade se faz mais do que necessário”, disse Viviane Soranso, coordenadora do Programa Raça e Gênero da Fundação Tide Setubal, em comunicado ao Nexo. “Significa criar um pacto coletivo de reparação histórica, por meio de ações concretas como o investimento na transformação da realidade interna de empresas e instituições”.

    Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 56% da população brasileira se declara negra (preta ou parda). Mas pessoas negras são sub-representadas em cargos de chefia e posições de autoridade:

    29,5%

    dos cargos de liderança em empresas brasileiras são ocupados por pessoas negras, segundo dados de 2019 do IBGE

    4,7%

    dos cargos em quadros executivos das 500 maiores empresas brasileiras são ocupados por pessoas negras, segundo pesquisa de 2016 do Instituto Ethos

    21%

    dos magistrados brasileiros são negros, segundo levantamento de 2020 do CNJ (Conselho Nacional de Justiça)

    17,8%

    dos parlamentares brasileiros (senadores e deputados federais) se declaram negros

    A iniciativa da Fundação Tide Setubal conta com apoio de empresas, entidades e instituições de ensino, como Fundação Getulio Vargas, Insper, Instituto Ibirapitanga, Porticus América Latina, entre outras. “A ideia é que, a cada novo apoiador da plataforma, um exercício de olhar da porta para dentro seja feito”, afirmou Soranso. “Além da bolsa, esses parceiros precisam se comprometer internamente e se questionar: há pessoas negras em cargos de decisão nos nossos espaços?”.

    Pessoas físicas e jurídicas também podem contribuir com doações às campanhas da Alas. Segundo a plataforma, a cada um real doado, o fundo da organização investirá outros dois reais em ações de formação de lideranças negras.

    Como funcionam os editais

    A plataforma desenvolve três programas atualmente, pensados para contemplar diferentes momentos na formação individual.

    O primeiro deles, “Asas”, é voltado a jovens estudantes de 16 a 24 anos que moram em periferias. O programa consiste de atividades para o desenvolvimento de “habilidades pessoais, formação política, empreendedorismo, empregabilidade e idiomas”. Ainda está em fase experimental no bairro Jardim Lapena, na capital paulista.

    O projeto “Elos” faz um levantamento de editais disponíveis para cursos de graduação ou preparatórios para mestrado, concursos públicos e carreiras jurídicas. Pessoas interessadas devem preencher um formulário no site para receber informações sobre as oportunidades por e-mail. A plataforma também vai intermediar o acesso a bolsas em cursos da Fundação Getulio Vargas e do Insper.

    O terceiro programa, “Caminhos”, é composto por dois editais profissionalizantes. “Elas Periféricas” oferece mentoria sobre comunicação, gestão financeira e administração de projetos a mulheres negras que atuam nas periferias. E o edital “Traços” repassa recursos financeiros a pessoas com mais de 20 anos para investimento em cursos de idiomas, pós-graduação, participação em intercâmbios, congressos e seminários, cursos livres, etc. Na sua primeira edição, em 2020, 31 beneficiários receberam aportes de R$ 15 mil cada.

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