Por que a Microsoft quer dispensar o uso de senhas

Empresa americana implementou sistema que deixa de exigir palavra-chave nas suas plataformas

    A Microsoft quer que o futuro seja livre de senhas. Para dar o pontapé nessa visão de mundo digital, a empresa lançou, no dia 15 de setembro, uma funcionalidade que permite que os usuários deixem de lado a palavra-chave para acessar a conta Microsoft.

    Não se trata de uma tecnologia inovadora, como o WebAuthn, que promete o fim das senhas desde 2018 com novos protocolos de segurança, mas sim da implementação de um sistema que já existia: a verificação de dois fatores.

    Em sistemas de verificação dupla de senha, você usa uma palavra-chave criada por você e, na sequência, recebe um código numérico via e-mail, SMS ou outro aplicativo, que garante a sua identificação. É como uma camada extra de segurança.

    No sistema da Microsoft, o login é feito apenas com a segunda etapa do processo. Com isso, cada vez que você quiser entrar em um site, um código único será gerado aleatoriamente, dispensando a necessidade de uma senha.

    Com a novidade, o usuário que desejar entrar na conta Microsoft para usar os aplicativos Office ou o sistema de e-mails Outlook pode ativar a opção no dispositivo e ter uma senha a menos para guardar na memória ou em um programa de gerenciamento específico.

    Comodidade e segurança

    Em carta aberta, Vasu Jakkal, vice-presidente de segurança da empresa, diz que a decisão é motivada para garantir mais comodidade e proteção aos usuários.

    “Hackers não invadem sistemas, eles entram nos sistemas”, afirmou, mencionando a engenharia social, conjunto de técnicas que hackers usam para tentar descobrir a senha de alguém usando informações sobre ela ou com técnicas de persuasão, dispensando o longo e difícil processo de uma invasão propriamente dita.

    Para Jakkal, há um antagonismo entre criar uma senha segura e lembrar dela, ou criar uma senha fácil de ser lembrada mas pouco segura. Na sua visão, o sistema da Microsoft soluciona esses problemas ao gerar códigos únicos a cada tentativa de login.

    Usar a mesma senha em diversos serviços digitais é um dos maiores riscos para a segurança digital, segundo especialistas. De acordo com uma pesquisa feita em 2018 pela empresa de consultoria LogMeln, 59% dos usuários de internet usam a mesma senha para múltiplos acessos em sites diferentes. A pesquisa foi feita a partir de entrevistas com 2.000 pessoas em cinco países.

    Outro estudo, feito pela empresa Cyclonis, especializada em segurança digital, demonstrou que senhas como “12345” são muito comuns, apesar de serem fracas. A pesquisa entrevistou 275 americanos, e 34% deles admitiram o uso de combinações simples como essa.

    Em outubro, a Microsoft vai promover um simpósio digital para debater o futuro das senhas e como a empresa quer auxiliar concorrentes e parceiros na implementação de sistemas como esse.

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