A autora feminista banida do Twitter por postagens antivacina

Autora de best-sellers como “O mito da beleza”, Naomi Wolf teve a conta suspensa por espalhar desinformação

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    Em 5 de junho, o Twitter baniu a conta da escritora americana Naomi Wolf por postagens que continham desinformação sobre a vacinação contra a covid-19. Autora de best-sellers, Wolf ficou mundialmente conhecida após a publicação do livro feminista “O mito da beleza”, nos anos 1990.

    Em seu último post antivacina na rede social, Wolf sugeriu que os excrementos de pessoas imunizadas deveriam ser separados do resto da população. A escritora já havia feito declarações negacionistas sobre a vacinação e o isolamento social durante a pandemia de covid-19.

    No Twitter, muitos usuários comemoraram a decisão da empresa, enquanto outros defenderam que banir Wolf da mídia era restringir a liberdade de expressão. O Twitter afirmou que a decisão é definitiva e não permite recurso. A rede social criou regras para impedir o compartilhamento de informações enganosas sobre a covid-19, como “informações falsas sobre regulamentações oficiais, restrições ou isenções relacionadas a orientações de saúde”. As infrações podem levar ao bloqueio ou suspensão permanente da conta.

    As obras e as críticas

    Em “O mito da beleza”, lançado em 1990, Wolf defende que a beleza é usada como maneira de controlar mulheres, impactando seus comportamentos e identidades negativamente.

    No Brasil, a obra obteve grande relevância ao longo dos anos. Chegou ao país em 1992, foi relançado em 2018 e já está na 17ª edição. Em 2021, entrou na lista dos mais vendidos, segundo o UOL, após frases do livro voltarem a circular em meio a debates sobre a estética e o controle exercido por ela.

    Outro best-seller da autora é “Vagina - uma biografia”, no qual ela desenvolve a ideia de que o órgão genital tem conexão com a consciência feminina, atuando como um componente intrínseco do cérebro. Wolf também atuou como conselheira política do presidente americano Bill Clinton, durante os anos 1990.

    A autora, no entanto, teve essas e outras obras contestadas. Em “O mito da beleza”, foi acusada de cometer erros de pesquisa e exagerar os números de mortes por anorexia. Já o livro “Vagina”, segundo alguns, deturpa estudos sobre o cérebro e faz falsas associações.

    Outra polêmica ocorreu em 2019, durante entrevista à rádio inglesa BBC, quando o apresentador Matthew Sweet apontou erros que invalidavam a tese central do livro “Ultrajante: sexo, censura e criminalização do amor”, em tradução livre, lançado naquele ano.

    A publicação, sobre tipos de homofobia e censura, dizia que pessoas que praticavam sodomia haviam sido condenadas à morte na Inglaterra do século 19. A afirmação se baseava no jargão jurídico “death recorded”. Mas diferentemente do que a autora havia entendido, o termo servia para indicar que um condenado havia tido seus crimes perdoados. Na época, Wolf tentou se explicar utilizando um artigo do historiador A.D. Harvey, que já havia sido acusado de fraude.

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